08 de julho de 2026
Geral

Vida em apartamento exige adaptação

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Quem se muda de casa para apartamento sempre sente a diferença. O “quintal” passa a ser coletivo. O varal tradicional, tão comum nas casas térreas para pendurar toda a roupa da família, não pode ser instalado nas residências verticalizadas. E uma série de regras para a convivência em condomínios deve ser respeitada. São estas as adaptações que os moradores do Bauru H, primeiro conjunto habitacional vertical de Bauru financiado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), construído na Vila Industrial, estão vivendo.

Síndico de dois blocos do primeiro lote do conjunto, o eletricista e encanador Sebastião Geraldo Sousa conta que muita gente está penando para conviver sem a liberdade que tinha quando morava em casa térrea. “A principal reclamação é a falta de um lugar maior para estender as roupas” afirma. Apesar disso, ele admite que os benefícios da moradia própria são maiores. “Principalmente para as crianças. Elas se acostumam mais rápido e já fizeram um monte de amizades”, conta.

A vida comunitária também é destacada pelo síndico. “Aqui tudo tem que ser feito pensando no coletivo. Por exemplo, um morador se propôs a podar toda a grama do nosso bloco. Além disso, estamos planejando a plantação de uma horta comunitária”, observa. Para o síndico de outro bloco, André Luís Borges Ferreira, a principal dificuldade é que os moradores só são unidos aos seus vizinhos de prédio, e não aos dos demais blocos. “Quando as crianças de um bloco vão brincar (no parquinho) de um outro bloco, elas não são aceitas”. Isso, afirma, é por conta da diferença de brinquedos. “Alguns não têm os brinquedos que os outros possuem”, explica. Porém, ele acredita que isso será resolvido com o tempo. “Nós estamos aprendendo tudo agora”, revela.

Para o militar Claudinei Alessandro Sousa, síndico de outro bloco, a grande dificuldade está em encontrar os proprietários dos apartamentos que ainda não estão ocupados. “Apesar de não morarem aqui ainda, já existem compromissos, como o pagamento do condomínio”, conta. Isso também leva a outro problema. “As reuniões para a definição do regulamento interno ficam prejudicadas pela falta de pessoas. Fora isso, o bloco é muito tranqüilo”, conta.

Antes de receber as chaves de seu apartamento, Neuza Maria de Jesus da Silva morava num barraco no Ferradura Mirim. “Passar o Natal no apartamento novo foi maravilhoso”, conta. Portadora de deficiência física, Silva mora com o filho Emerson, 9 anos, no apartamentos de 45,35 metros quadrados, de dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço.

Para facilitar o acesso da vizinha ao transporte público, os moradores solicitaram a construção de uma abertura lateral na grade que contorna o conjunto. “O pessoal sempre vem ver se estou bem, precisando de alguma coisa”, conta. Apesar da nova moradia, ela decidiu não abrir mão do antigo barraco, onde morou sete anos. “Hoje tem gente da minha família morando lá”, conta.

A dona de casa Maria Aparecida Pierino, que mora com o marido e o filho Luís Vítor em um apartamento no segundo andar, elogia o imóvel. “É maravilhoso”, afirma. Antiga moradora do Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), ela diz que não encontrou dificuldade nenhuma em se adaptar à nova vida. “Para mim está ótimo. Eu gosto dessas regras”, revela.