10 de julho de 2026
Regional

Medicina de Marília vai mapear o uso de célula-tronco em Alzheimer

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - Um grupo de docentes, funcionários e alunos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) vai desenvolver uma pesquisa pré-clínica para determinar a potencialidade das células-tronco para o uso em tratamento do mal de Alzheimer.

Sob a coordenação do chefe da disciplina de Genética e do Laboratório de Genética da Famema, professor Spencer Luiz Marques Payão, o grupo, de cerca de dez pessoas, deverá iniciar os estudos pré-clínicos ainda neste semestre.

O objetivo, segundo Payão, é verificar o potencial das células-tronco no tratamento do mal de Alzheimer. “O objetivo é abrir um leque para tentar averiguar um pouco melhor o potencial das células-tronco e abrir uma perspectiva em termos de cura. Existe esperança em relação à cura, se não a gente nem estaria começando. Mas é preciso cautela”, lembra o professor.

Ele frisa que os estudos pré-clínicos, utilizando cobaias animais, são necessários antes de passar para a próxima etapa, que são os estudos clínicos com humanos. “Para partir para os ensaios clínicos em seres humanos, que em lugar nenhum do mundo está sendo feito ainda, é preciso ter um embasamento do ponto de vista pré-clínico em animais. Eu tenho de ter evidências se realmente estas células tem um potencial de diferenciação”, comenta.

Payão lembra que apesar das células-tronco embrionárias serem mais eficazes por apresentarem um maior potencial de diferenciação, os estudos feito pelo grupo da Famema devem utilizar células da medula óssea do próprio animal.

“Ela (a célula-tronco embrionária) pode ter um potencial de diferenciação (maior) e se tornar uma célula cancerosa. Esse é o grande entrave ainda que está se discutindo. Por outro lado, as células da medula óssea estaríamos tirando da própria pessoa. Como são as próprias células (do indivíduo), então não vamos ter transformação”, comenta.

O estudo pré-clínico deverá durar dois anos, e dependendo dos resultados obtidos, os pesquisadores devem iniciar os estudos clínicos em seres humanos. “O estudo pré-clínico será feito em dois anos para começar mos a pensar num ensaio clínico. Depende dos resultados que a gente encontrar. Temos uma estratégia, vamos utilizar ratos mais jovens e outros que já vão desenvolver a doença. Se os resultados forem satisfatórios, podemos partir então para seres humanos”, diz o professor.

De acordo com ele, o custo da pesquisa é alto, mesmo que 40% do que é necessário para iniciá-la, como a infra-estrutura, já esteja disponível na Famema. “O custo é elevadíssimo, mas há uma infra-estrutura já montada na Famema. Precisamos de alguns camundongos importados e alguns equipamentos que já estamos vibializando”, comemora.

O professor espera conseguir o dinheiro para o financiamento da pesquisa através da iniciativa privada que, segundo ele, tem manifestado interesse, e principalmente através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Payão lembra que o grupo de pesquisa deverá contar com a participação de docentes da Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru. Ele próprio faz parte do quadro de docentes da pós-graduação USC.

O pesquisador esclarece que apesar de existir vasto material na literatura científica sobre este tipo de pesquisa, o projeto que será desenvolvido na Famema será diferenciado. Ele lembra também que ninguém até hoje desenvolveu um estudo clínico sobre o tema. “Muitos dos resultados estão na linha do que pensamos fazer, só que não é parecido. Que tiveram resultados positivos mesmo foi um grupo da China, que fez um estudo pré-clínico”, explica.