08 de julho de 2026
Geral

Cidade ainda está em ritmo de descanso

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Aproveitar o período de férias escolares dos filhos, curtir o verão no Litoral, descansar da correria do final do ano é o sonho da maioria dos bauruenses. É o que muitos deles fizeram. Depois do Natal e Ano Novo, estenderam a folga. Só na prefeitura, quase dois mil dos 4.900 funcionários estão aproveitando janeiro para o descanso anual previsto em lei. Mas não é só no serviço público que janeiro é mês de férias. Como normalmente o movimento no comércio é fraco no início do ano, esta também é a época de férias quase que coletivas.

Mais da metade dos servidores municipais em férias neste mês são professores, explica a assessoria de comunicação da prefeitura. Eles só voltarão a trabalhar no final de janeiro. No restante da administração, são os próprios setores que gerenciam as férias dos funcionários, sempre com a preocupação de manter os serviços em funcionamento.

Segundo Sérgio Evandro do Amaral Motta, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), após o grande movimento do final de ano, as vendas tradicionalmente caem em janeiro. “Os consumidores gastam muito no Natal e, mesmo com as liquidações, a procura pelo comércio fica baixa no começo do ano. Então, os empresários aproveitam a queda no movimento para dar folga aos seus funcionários”, explica.

Como os comerciários trabalham em sistema de compensação das horas extras, muitos aproveitam para gozar as horas acumuladas com a abertura das lojas durante as noites na véspera de Natal e, assim, estender as férias. “Com isso, alguns empregados conseguem até dez dias a mais nas férias”, calcula Motta.

Empresários também aproveitam o mês para descansar. Muitos bares e restaurantes da cidade começaram a semana fechados. Alberto Nakayama, proprietário de um restaurante no Jardim Bela Vista, fechou o seu estabelecimento na segunda-feira e foi com a família para Florianópolis. Pelo telefone celular, ele contou à reportagem que as férias são curtas. “Todo ano a gente tem um descanso de 15 dias. Mas no dia 17, estaremos funcionando normalmente”, garante.

Uma tradicional lanchonete dos Altos da Cidade também está com as portas fechadas nesta semana. Segundo Júlio César Sanches Francisco, irmão do proprietário do estabelecimento, a família foi viajar. “Foram passar o final de ano fora. Mas amanhã, a lanchonete abre de novo”, conta.

Profissionais autônomos também “se deram” férias. Numa clínica médica procurada pela reportagem, três dos cinco médicos ginecologistas que atendem no local estavam em férias. Outros consultórios particulares foram procurados, mas os profissionais também estavam fora.

Já na Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o atendimento continua. “Mas a procura está pequena ainda. Acredito que só aumentará na segunda quinzena do mês”, avalia Emerson Tobias, auxiliar administrativo da entidade. Os trabalhos das comissões, no entanto, estão suspensos até fevereiro. Para atender a população, cada uma nomeou um advogado para plantão. Caso aconteça alguma emergência, eles são convocados.

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Serviços essenciais

Enquanto a maioria dos profissionais tira férias em janeiro, quem atua nos serviços essenciais, como saúde e segurança, depende de programação porque o atendimento não pode ser reduzido. No Hospital Estadual, por exemplo, cada setor determina quantos funcionários podem gozar férias por mês. Segundo a assessoria de comunicação do hospital, para não acontecer atropelos, os setores planejam com bastante antecedência as folgas dos funcionários, tanto que as férias de 2007 já estão sendo discutidas.

Enquanto professores e alunos estão em férias, na Diretoria Regional de Ensino (DRE) o trabalho não parou: é preciso planejar o ano letivo que começa em fevereiro. “Apenas quem realmente precisou teve alguns dias de folga”, afirma a dirigente Vera Nilce Ludke Jarussi. As atividades para a posse dos novos professores nomeados na última semana tomaram a agenda da DRE. Nas escolas, diretores e funcionários estão trabalhando com alunos que pedem transferência. Janeiro também será dedicado às reformas de manutenção das unidades de ensino.

A polícia também programa as férias de seus quadros de forma que a população não fique prejudicada. Na Polícia Federal, por exemplo, no máximo 25% do efetivo podem tirar férias num mês. “Normalmente, eles preferem tirar férias junto dos filhos”, observa o delegado Renato Cazarini. Já a Procuradoria da República está em recesso até o dia 9. Pelas manhãs, um servidor fica de plantão até as 12h.