Um novo ano sempre começa com assuntos de maior destaque e demandas mais urgentes. Em Bauru, uma das grandes discussões que ultrapassaram a barreira de 2005 é o novo aeroporto da cidade. Faltando três meses para a inauguração anunciada pelo governo do Estado, há muito a se fazer no local e ainda pairam muitas dúvidas sobre a utilização desta obra de R$ 20 milhões. Para o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), que vai gerenciar o terminal aéreo, a vocação do aeroporto é para o transporte de cargas.
Já o prefeito Tuga Angerami (PDT) avalia que o ideal seria montar um “fórum permanente” de discussões para trazer a Bauru pessoas especializadas na operação de aeroportos, logística, exportação e outros setores. O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) acha interessante a idéia do fórum, “contanto que ele seja implantado e tocado pela iniciativa privada”.
“É um processo que não se esgota na competência local. É preciso buscar pessoas de fora, inclusive da área federal, convidar representantes do Departamento de Aviação Civil (DAC) e da Aeronáutica. Também considero importante fazer uma radiografia do setor produtivo local e regional, com o objetivo de atrair investimentos de setores que trabalhem com produtos que possuam alto valor agregado e que possam usufruir do transporte aeroviário”, analisa o prefeito.
Terminal cargueiro
O superintendente do Daesp, Ricardo Volpi, diz que, mesmo com a demanda reprimida de passageiros existente na região de Bauru, a grande vocação do novo aeroporto é o transporte de cargas. Contudo, neste ano somente cargas domésticas poderão passar pelo terminal aéreo. Acrescenta-se a esse quadro a dificuldade de definir o que são cargas domésticas.
“O transporte de cargas internacionais (exportação e importação) só poderá ser feito depois que o aeroporto estiver devidamente habilitado para isso. Será feita uma licitação para que a empresa vencedora construa no local um galpão onde serão instalados postos de órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e Vigilância Sanitária. Não é papel do Estado operar o terminal de cargas, e sim da iniciativa privada. Mas pelo potencial logístico da cidade, sem dúvida a vocação do aeroporto é para o transporte de cargas”, analisa Volpi.
Segundo ele, o aeroporto será entregue com a pista principal já balizada - permitindo operações noturnas - e o terminal de passageiros funcionando com equipamentos de segurança, sistema viário interno e estacionamento de veículos. Desta forma, os vôos regulares operados pela empresa aérea Pantanal no atual aeroporto serão transferidos para o novo, localizado na divisa entre Bauru e Arealva.
“Em relação às áreas industriais, já existem empresas interessadas em se instalar no local para construir hangares para os aviões e para fazer a manutenção das aeronaves. Mas o aeroporto tem um potencial muito grande de desenvolvimento. Nós (Daesp) o imaginamos como um grande aeroporto cargueiro. Hoje, a pista pronta tem 2.145 metros. Mas já está prevista no nosso orçamento a licitação de uma obra para aumentar a pista em mais 600 metros”, aponta Volpi.
Desenvolvimento
O empresário e membro da diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Jair Manfrinato também aponta a vocação para o transporte de cargas. Na avaliação dele, já existem várias ações sendo elaboradas pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder) - ligado ao Ciesp - que visam a viabilização do novo aeroporto a partir de seu potencial logístico.
“Para viabilizar o transporte de passageiros vai levar um certo tempo. Mas para ambos os casos, depende de mobilização por parte do empresariado e do poder público não só de Bauru, como também de municípios da região, para atrair empresas que queiram investir aqui. Não basta ter a estrutura do aeroporto, é preciso ter políticas de atração e de desenvolvimento. O Coder vem desenvolvendo várias ações nesse sentido por meio dos grupos temáticos. O grupo de agronegócios é um deles”, diz Manfrinato.
De acordo com ele, empresários do setor estão discutindo, desde o ano passado, formas de aproveitar o novo aeroporto para incrementar as atividades agropecuárias desenvolvidas na região. Na avaliação do grupo, a inclusão do novo terminal aéreo à malha já existente (com rodovias, hidrovia e ferrovia) será fundamental para facilitar o escoamento de produtos agropecuários e impulsionar as exportações.
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Mobilização
Para o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), estão faltando empenho e mobilização por parte dos empresários de Bauru para atrair empresas e elaborar planos de ação que visem o desenvolvimento da cidade a partir do potencial logístico do novo aeroporto da cidade.
“A iniciativa privada tem que se mexer mais. O Estado coloca à disposição todo o apoio tecnológico, mas os empresários da cidade têm que se envolver para atrair investimentos. O Ciesp tem promovido reuniões e debates muito bons, mas não tenho visto ações concretas.”
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, o novo aeroporto é uma grande oportunidade de crescimento para Bauru e região, mas precisa ser bem aproveitada.
“O retorno só virá por meio de um trabalho árduo para divulgar as potencialidades e qualidades da cidade, o que resultará na atração de empresas e de investimentos. Isso ocorre a longo prazo.”
De acordo com o secretário, nos próximos dias a prefeitura entrará em contato com algumas companhias aéreas para discutir o assunto.
R$ 20 milhões é o valor total das obras do novo aeroporto, que está sendo construído em parceria entre os governos estadual e federal. A previsão de término das obras é para março deste ano, ficando ainda para o primeiro semestre o início das operações.
Patrícia Zamboni