A família do adolescente que matou o pai há 15 dias sofreu um novo dissabor. Há dois dias, o rapaz foi transferido da Delegacia da Infância e Juventude (Diju) para a Unidade de Internação Provisória (UIP) da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem). A possibilidade dele ser acolhido pela instituição representava pesadelo à mãe do rapaz, que procurou o JC para expor suas aflições quanto ao futuro do filho e relatou uma rotina de violência praticada pelo marido.
Ontem, pela primeira vez, ela flagrou o adolescente com as roupas da Febem e com os cabelos raspados, durante o interrogatório do jovem no Fórum. A imagem foi suficiente para deixá-la ainda mais arrasada, assim como o restante da família. O rapaz, no entanto, pode conseguir liberdade, dependendo do resultado do julgamento final. O juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, tem 45 dias para estabelecer uma sentença, a partir da apreensão do garoto.
Conforme o JC veiculou, o magistrado indeferiu o pedido de liberdade provisória protocolado pela defesa do adolescente. Maintinguer acolheu parecer do promotor Onilande Santino Basso, que demonstrou preocupação com a preservação da ordem pública e com a segurança do jovem, que pode ser alvo de represálias. “Vamos entrar com um habeas-corpus para que ele seja liberado antes da decisão final”, reitera o advogado da família Gilberto Truijo.
Direitos humanos
O advogado conta que esteve na Febem anteontem e ficou surpreendido positivamente com o novo diretor Antonio Alfredo Costela Parras. “Ele convidou a Comissão de Direitos Humanos da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para uma visita”, conta Truijo, que também é coordenador da comissão. Sempre que pode, ele relembra o episódio ocorrido em novembro de 2004, quando o acesso da comissão à Febem foi barrado.
Como não conseguiu visitar os internos, o grupo registrou boletim de ocorrência para preservação de direitos. Na época, a assessoria de imprensa da fundação informou que a entrada foi impedida porque os advogados não apresentaram carteirinha de cadastro na Febem, exigência prevista no regimento para que tenham livre acesso às dependências da instituição.
Pouco mais de um ano depois, a comissão recebe convite para visitar a unidade num período de calmaria, iniciado com a posse de Parras em julho de 2005.