O jornal “Diário de São Paulo”, em 1966, mantinha uma coluna intitulada Diário Militar. O Brasil encontrava-se sob o regime militar imposto pela revolução de 31 de março de 1964. Ao ler a coluna (edição de 6/11/1966), deparei-me com o título: “Penalidades pelo desrespeito aos símbolos nacionais”, cujo assunto defendia a necessidade e a importância da Educação Cívica. Na época eu estava dirigindo o então Grupo Escolar de Vila Seabra, em Bauru, na praça Marechal Rondon, hoje, Escola Estadual “Prof. Francisco Antunes”.
Enviei carta à coluna identificando-me como diretor do grupo escolar, reconhecendo que estava a desejar o ensino da Educação Cívica. Afirmava que devemos respeitar não somente aos símbolos nacionais, como também aos dirigentes dos poderes constituídos, inclusive aos vultos históricos que dignificavam nossa Pátria no passado. Afirmava também que, a negligência na formação do espírito cívico não cabia aos professores como parecia crer, mas às próprias autoridades. Esclarecia que escolas eram construídas pelo governo e outros prédios públicos, mas não eram fixados em suas fachadas suportes para hasteamento da Bandeira Nacional e Bandeira do Estado. E que nas escolas não havia exemplares dos símbolos nacionais. Solicitava que a coluna - Diário Militar - desenvolvesse uma campanha a respeito da formação cívica do nosso povo.
Minha carta foi publicada na íntegra na coluna (6/11/1966 - 6.º caderno). Passados três dias o carteiro entregou em minha residência um grande envelope com o timbre: Ministério da Guerra - II Exército - 2.ª Região Militar - Gabinete do Comando. Fiquei preocupado, meio assustado. Pensei em alguma intimação. Dentro do envelope estava um cartão, no alto do lado esquerdo a estampa do emblema da República, com o timbre que se encontrava no envelope, com o texto que transcrevo:
“São Paulo, SP, 8 nov. 66.
Ao sr. Prof. Rodolpho Pereira Lima.
Cumprimento-o pela carta publicada no jornal “Diário de São Paulo” de 6 de novembro, onde sintética mas objetivamente foi tratado o problema da Educação Cívica. Congratulo-me com o concidadão, pelo trabalho inteligente e profícuo que vem desenvolvendo nesse sentido.
Assinado: Gen. Bina Machado - Cmt. da 2.ª RM.”
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério estadual