09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A guerra dos meninos(as)


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Onde está o esquadrão azul, o Cips (o famoso “Reco-Reco”)? Ai que saudades, quanta saudade saudável daqueles meninos e meninas que viviam cuidando de nossas praças, ruas, logradouros e repartições. Crianças pequenas, pequenos senhores que eram assistidos enquanto trabalhavam, que tinham origem, comiam na hora com o café, merenda, estudo e o que é mais importante ao ser humano, uma profissão, para que pudessem no futuro viver do seu próprio sustento, em paz e com dignidade. Mas, infelizmente, a demagogia das mentes copiadoras, que muito pouco se cria, e quando cria mais parece um aborto, criaram o Estatuto da Criança e do Adolescente. Uma ótima idéia, se fosse levado a sério ou pelo menos com um pouquinho de bom senso.

Sem se preocupar com as conseqüências, deram aos nossos jovens muitos “direitos”, e muito poucas “obrigações”. Os mesmos foram proibidos de trabalhar, por precisarem estudar, só que hoje não trabalham e nem estudam. Tiraram dos pais o direito de educar, de ensinar a trabalhar, de ser um profissional como os seus pais, de ter um lar e compor uma família. A nossa sociedade aplaude todas as nossas idéias por mais malucas e irresponsáveis que possam ser. Somente pelo próprio capricho de não ter que se preocupar com os seus próprios problemas, já que é mais fácil encontrar alguém para colocarmos a culpa, na hora de carregar o piano.

Eu li uma frase quando ainda era menino, que dizia: “Educai as nossas crianças, para não ser preciso punir os homens.” Só que hoje, temos que mudar a pessoa da frase: “Educai os nossos bebês, para não ser preciso punir as nossas crianças.” Crianças essas que graças às nossas leis sensacionalistas, demagogas e interesseiras, vivem sendo punidas e maltratadas diretamente pelas ruas da vida, se prostituindo bem antes de aprender a brincar de bonecas; cheirando cola, solventes, e uma outra infinidade de drogas que chegam até elas diariamente como se fosse presente de Papai Noel.

As nossas leis para mostrar que estamos em um país de primeiro mundo (utopia) nos proíbem de bater em um filho, até nas piores das circunstâncias eles querem que os engordemos como se fossem animais para festas, e mais tarde serem mortos por bandidos, espancados por policiais, ou serem caçados pelas ruas e vielas dos morros da periferia como selvagens, bandidos perigosos, os quais as próprias leis nos ajudam a produzir.

Que leis são essas que ferem, maltratam, e punem de forma triste, a quem o próprio nascimento muitas vezes já fora uma punição. Por terem nascido filhos de mães adolescentes, de pais mal orientados e mal preparados, vindos de uma sociedade cada vez mais desestruturada e abalada diante de tantas injustiças às quais são obrigados a se submeterem diariamente.

Aos nossos governantes, vereadores, prefeitos, deputados, senadores e presidente: olhem com um pouco mais de atenção para nossas ruas, mas olhem de forma humana como verdadeiro ser humano para nós, como se estivessem olhando para sua própria família, não com olho de bobo, mas sim com o olho da razão. Aí quem sabe assim conseguiremos construir novos jovens, ao invés de construir novas Febems.

Claudinor Pedroso - RG 13.908.437