08 de julho de 2026
Turismo

Verão a bordo

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

A cada ano que passa, mais brasileiros fazem opção pelo cruzeiro marítimo para passar suas férias de verão. Jovens, casais da terceira idade, enturmados, descolados e famílias inteiras curtem navegar. Neste momento, nove transatlânticos singram os nossos mais de nove mil quilômetros de costas: Pacific, especializado em portos do Nordeste e Ilha de Fernando de Noronha; Island Escape, Island Star, Costa Romantica, Costa Victoria, Blue Dream, MSC Armonia, MSC Melody e Mistral, todos em percursos no Nordeste, Sudeste e Sul, inclusive Uruguai e Argentina até os confins austrais da Patagônia.

Nos últimos cinco anos, o setor cresceu mais de 600%. Neste ano, os nove barcos devem hospedar mais de 230 mil pessoas, número “fantástico” se pensarmos que no ano passado foram apenas 35 mil.

O último navio a chegar foi o Island Star, novinho em folha depois de uma reforma total que custou mais de US$ 23 milhões. Pertence a mesma companhia inglesa com sede em Nassau (Bahamas) que já operava no nosso país com o irmão mais velho, o Island Escape. A estréia mundial foi feita no porto de Santos, no dia 20 de dezembro, em cerimônia que contou como madrinha de batismo Marina Bandeira Klink, esposa do navegador Amir Klink.

As pessoas se sentem num resort (hotel com muitos programas de lazer) de luxo a bordo de um gigante desses, com 210 metros de comprimento, 47.000 toneladas e 11 andares de altura por onde se espalham os 1 875 hóspedes em 753 cabines. As mais caras são as suítes com terraço, mas todas são dotadas de televisão via satélite, telefone e ar-condicionado. O passageiro nem sente que está navegando. Menos de 3% dos navegantes sofrem de enjôo no mar, assim mesmo por causa do labirinto. Nada a ver com o estômago. A viagem é tranqüila graças aos estabilizadores e os radares de navegação, que permitem ao navio escolher as rotas mais convenientes para o conforto de todos. Dificilmente alguém vai se queixar de indisposição por causa de balanço. Se acontecer, peça um Sea Calm à tripulação, remédio tipo tiro-e-queda à base de dramim. Os velhos marinheiros ensinam a quem se sente desconfortável que vá para o ambiente externo e olhe fixamente na linha do horizonte. Aliás, os agorafóbicos (aqueles que têm medo de grandes espaços) só vêm o mar se quiserem porque um barco como o Island Star oferece mais diversões internas do que se pode conseguir em terra firme. A começar pelo teatro de 600 lugares, sem colunas (um dos poucos do mundo em navios), com balcão e o palco onde se apresentam artistas contratados para shows musicais diários. Nos decks superiores, o hóspede é convidado a se divertir e a relaxar num espaço onde encontrará bares, piscinas e spa. O espaço junto a piscina é transformado numa rave flutuante e a moçada se diverte ao som dos DJs da moda, especialmente contratados para agitar a galera. Quem não gosta de barulho pode procurar a penumbra do piano-bar e curtir um som tipo Gershwin, Cole Porter, MPB e coisa que o valha. As crianças têm áreas especiais e recreacionistas, além de uma piscina só para elas. As mães podem deixá-las depois das 9h e ir apanhá-las à noite, se quiserem. Comum as moças terem que entregar os diabinhos de volta às mães esquecidas, já à noitinha. “Oh! Nem me lembrei”. No cassino, papa-níqueis e mesas de roleta, vinte-e-um e pôquer têm apostas limitadas - um a cinco dólares por mão – que é para evitar a falência dos mais afoitos.