O número de acidentes de trânsito em Bauru no ano passado aumentou em comparação a 2004, apesar das vítimas fatais terem reduzido de 24 para 22. Levantamento da Polícia Militar (PM) aponta acréscimo de 327 ocorrências – em 2005 foram registradas 6.703 colisões, contra 6.376 em 2004. Na maioria delas, há um fator em comum: a desatenção dos motoristas, segundo o sargento Sílvio Carlos Rossi que atua na Companhia de Trânsito em Bauru. Analisando os acidentes ocorridos na cidade, ele afirma que muitos poderiam ser evitados se o condutor estivesse mais atento, principalmente nos semáforos.
Já para os motoristas, as batidas ocorrem, basicamente, devido à precariedade da infra-estrutura das ruas, como buracos. Com experiência de atender, em média, 12 ocorrências de acidentes por dia, Rossi acredita que quase todas as colisões leves em Bauru ocorrem porque o motorista não estava atento ao volante. São situações, conta, em que o motorista se distrai olhando para os lados ou falando ao celular. Ele destaca que até condutores experientes mostram irresponsabilidade no trânsito e conhecem pouco sobre sinalização. “Hoje, as principais causas de acidentes de trânsito na cidade de Bauru são a falta de atenção, a desobediência às normas e a falta de conhecimento. Se perguntarmos aos condutores qual a diferença entre uma placa de proibido parar de uma de proibido estacionar, poucos saberão responder”, completa.
As estatísticas da Polícia Militar também mostram que a avenida Nações Unidas lidera as estatísticas de acidentes. Em 2005 foram 589, 30 registros a mais que no ano de 2004. De acordo com o sargento Rossi, a maioria das batidas ocorrereu no cruzamento da Nações com a rua Benjamin Constant. A explicação: os motoristas não param onde a sinalização exige.
Na quadra 17 da mesma avenida, o número de colisões também é grande, diz o policial. Segundo ele, os condutores, quando percebem o radar, freiam bruscamente. A conseqüência é, normalmente, engavetamento. “A maioria dos acidentes ocorre por causa da freada. Ninguém respeita a sinalização ou, quando respeita, acaba desrespeitando a distância de segurança”, frisa.
A vendedora Sandra Gomes, de 22 anos, sabe bem do perigo do trânsito na Nações. Ela e o namorado, quando chegavam a Bauru de moto, foram interceptados por um carro num dos cruzamentos da avenida. Segundo ela, não foi possível evitar a colisão. “Ralei os ombros e as pernas. Mas o pior de tudo foi ter batido a cabeça. Entrei em coma e fiquei internada alguns dias. A recuperação também foi dolorosa”, lembra.
Outro local preocupante devido ao índice de acidentes de trânsito citado por sargento Rossi é a extensão da avenida Duque de Caxias, principalmente nos finais de tarde. “Lá, o sol atrapalha muito a visibilidade do semáforo. Estamos estudando com a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) a melhoria da localização desses semáforos,” ressalta o sargento.
Despreparo
Para sargento Rossi, todos os condutores bauruenses precisariam, hoje, ser submetidos a uma instrução técnica mais aprofundada, principalmente com pessoas especializadas em sinalização de trânsito. Ele acredita que esse tipo de medida pode ajudar a minimizar o índice de acidentes no município.
O policial diz que o problema não é das auto-escolas, responsáveis pela formação dos motoristas. Ele entende que o número de aulas é pequeno para se tratar de assuntos tão importantes como legislação de trânsito, por exemplo. “Para renovar a habilitação é preciso rever direção defensiva e primeiros-socorros. Mas o que é imprescindível para ser um bom motorista é a legislação de trânsito. Você tem que olhar para uma placa e saber para que ela serve”, completa.
Ele defende ainda que o Estado deveria criar um órgão responsável para divulgar a legislação de trânsito entre a população. Segundo ele, hoje, os policiais especialistas em trânsito não têm legalidade para esse tipo de atividade. A cidade de Bauru, segundo Rossi, registra, em média, 20 colisões por dia. São 12 policiais disponíveis para atender todas as ocorrências.