10 de julho de 2026
Nacional

Obras nas estradas começam na segunda em 10,5 mil quilômetros

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O programa emergencial de recuperação de rodovias começa segunda-feira com obras de tapa-buraco em aproximadamente 10,5 mil quilômetros de rodovias em 20 Estados - cerca de 40% dos 26,5 mil quilômetros previstos originalmente. Outras obras começarão ao longo da semana que vem. O governo divulgou lista dos trechos por onde o programa começa, mas sem o valor das obras e informações sobre a empreiteira responsável.

Essas informações, segundo o governo, ainda serão detalhadas. De acordo com Mauro Barbosa, diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transportes (Dnit), a intenção é que todos os dados fiquem disponíveis na Internet, para que haja maior transparência e mais controle. O governo não fará novas licitações: em cerca de 19 mil quilômetros, contratos já existentes com empreiteiras serão aditados e, em outros 7,4 mil quilômetros, haverá contratação de empreiteiras sem licitação.

Na segunda-feira, o governo liberou R$ 350 milhões para as obras. Esse valor será somado a R$ 90 milhões que já haviam sido liberados para o Ministério dos Transportes. Barbosa justificou as obras de tapa buraco. “Existe uma responsabilidade social. É preciso garantir a integridade das pessoas que estão usando as estradas”, afirmou.

Especialistas

Para a professora de engenharia Laura Goretti da Motta, da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe), o governo está certo em tapar os buracos das rodovias, mesmo na época de chuvas. “É muito mais danoso deixar o pavimento aberto, porque a água se infiltra para as áreas inferiores e pode causar mais estrago”, explicou. Segundo ela, o fato de a época ser de chuva não é um impeditivo, basta que o conserto seja feito em um momento do dia em que não esteja chovendo. “O mais grave é ter deixado ficar do jeito que ficou. Já que foi adiado, é melhor fazer”, disse.

De acordo com Marcelino Rafart de Seras, diretor-presidente da Ecorodovias (empresa que explora 976 quilômetros de rodovias em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul), o governo deveria tapar os buracos. “Não considero jogar dinheiro fora porque as obras evitarão acidentes”, disse. Ele ressaltou, no entanto, que o governo precisaria investir mais para fazer outras obras, mais profundas, para restaurar as estradas.

Segundo Seras, se os R$ 440 milhões que o governo pretende investir fossem para tapar buracos em 14.506 quilômetros de rodovias, o custo, de aproximadamente R$ 30,3 mil por quilômetros, estaria adequado. O Ministério dos Transportes, no entanto, confirmou que os recursos são para 26,5 mil quilômetros de rodovias. Nesse caso, o custo cai para R$ 16,6 mil por quilômetro, valor considerado por ele baixo.

Para a professora Goretti, é difícil afirmar se o valor orçado pelo governo é suficiente ou não. Isso acontece porque as obras não são contínuas e o gasto por quilômetro depende de quantos buracos há em cada trecho.

Congresso

O senador Romeu Tuma (PFL-SP) afirmou ontem que o PFL pressionará pela convocação do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, para dar explicações à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sobre a estimativa feita por ele de que as obras emergenciais para tapar buracos nas rodovias federais têm prazo de validade de cerca de um ano.

“Se esse tapa-buraco não dura um ano, é eleitoral. Por que não há um plano de recuperação de estradas?”, disse o senador, que é vice-presidente da comissão. O senador Delcídio Amaral (PT-MS) também criticou a operação. “Ficamos novamente no remendo e não resolvemos o principal”, disse ele, que é membro da Comissão de Infra-Estrutura do Senado.

Para o petista, o governo falhou nessa área. “Pensei que 2005 ia ser o ano das estradas, dos portos, da energia, e não foi. O Brasil não caminha sem infra-estrutura e medidas emergenciais não resolvem o problema”, afirmou ele.