11 de julho de 2026
Nacional

Petistas devem ficar no fim da fila dos ‘cassáveis’, afirma Ricardo Izar

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Os cinco deputados petistas ameaçados de perda de mandato por envolvimento no escândalo do “mensalão” deverão ficar no final da fila de conclusão dos processos de cassação em curso no Conselho de Ética da Câmara. De acordo com o calendário estipulado pelo presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), pelo menos três dos 11 processos em andamento deverão passar na frente dos casos dos petistas já a partir da próxima quinta-feira.

O primeiro deles será o do presidente do PP, Pedro Corrêa (PE). Na seqüência, serão finalizados os de Roberto Brant (MG) e Wanderval Santos (PL-SP). Dos cinco petistas, o único caso apontado como “mais adiantado” por Izar é o do deputado Professor Luizinho (SP), cujo relator, Pedro Canedo (PP-GO), deverá recomendar uma pena mais branda - como uma advertência, por exemplo.

A seguir o calendário do conselho, os petistas João Paulo Cunha (SP), Josias Gomes (BA), João Magno (MG) e José Mentor (SP) deverão ter seus processos concluídos no final de março ou em meados de abril. O “benefício” aos petistas não é de responsabilidade de Izar, entretanto. Segundo o petebista, o atraso se deve à liminar obtida pelos petistas no Supremo Tribunal Federal que retardou a abertura dos processos de cassação. “Os processos deles começaram 10 ou 15 dias depois”, disse Izar.

Nos bastidores, entretanto, integrantes do próprio conselho afirmam que há uma morosidade dos relatores com o intuito de “segurar” a conclusão dos processos contra os petistas. A estratégia de deixá-los por último visaria aguardar o final dos demais casos para avaliar a repercussão de absolvições e dar mais tempo aos acusados para tentar costurar apoio para reverter pedidos de cassação no plenário.

Izar agendou uma reunião na próxima segunda-feira para tratar do tema com o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), e prometeu dar um “ultimato” aos 11 relatores do Conselho de Ética. “Vou pressionar os relatores, vou chamar um por um. Quero perguntar o que falta para cada processo (...) Tenho uma reunião com o Osmar Serraglio na segunda, vamos fazer um trabalho conjunto para evitar qualquer possibilidade de “acordão’ e, se houver necessidade, vamos denunciar”, afirmou Izar.

O líder do PT na Casa, Henrique Fontana (RS), divulgou nota ontem na qual nega “qualquer conversação ou acordo sobre essa questão (acordão)”. O deputado Edmar Moreira (PFL-MG), relator do processo contra Mentor, por exemplo, anunciou durante uma sessão do conselho que só retomará a análise do caso após o período de convocação extraordinária, que termina em 15 de fevereiro. Ele se recusou, inclusive, a agendar o depoimento do próprio Mentor.

Outro relator que tem sido alvo de críticas nos bastidores é Orlando Fantazzini (PSOL-SP), responsável pelo parecer sobre Pedro Henry (PP-MT). O caso de Henry é considerado um dos mais simples, por falta de provas, mas Fantazzini disse que só entregará sua conclusão após ouvir José Janene (PP-PR), arrolado como testemunha de defesa. Janene, no entanto, que também enfrenta processo de cassação, está licenciado para tratar de um problema cardíaco.

“É só ele (Izar) trazer as pessoas para prestar depoimento. Ele disse que enviaria médicos para visitar o Janene, mas ficou só no blá blá blá. Como se nós fizéssemos corpo mole...”, afirmou Fantazzini. O deputado Mendes Thame (PSDB-SP), que analisa o caso de Josias Gomes, disse que “se pudesse escolher” aceleraria a conclusão do seu parecer. “Os primeiros casos terão dificuldade de evitar a cassação”, disse.

Salário extra

Hoje, subiu para 62 o número de parlamentares que recusaram as duas parcelas de R$ 12.847,20 referentes ao período de convocação extraordinária. Alguns deputados já devolveram o dinheiro depositado na semana passada, entre eles Sarney Filho (PV-MA) e Michel Temer (PMDB-SP).