11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Remédio ‘corrói’ renda de aposentado

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Assim como em todo Brasil, os aposentados de Bauru direcionam a maior parte de sua renda para cobrir os gastos com a saúde. A constatação reforça a realidade de que o sistema público de saúde no País ainda é deficiente, principalmente para os idosos.

A advogada do Sindicato Nacional dos Aposentados de Bauru, Ana Paula Redeis Sarha Machado, diz que a maior parte dos idosos cadastrados na instituição gasta mais com a própria saúde, principalmente com medicamentos, consultas médicas e planos de saúde. “É a maior reclamação que eles apresentam no sindicato. Não é transporte, não é Justiça, é a área da saúde”, reitera.

Machado também diz que o restante do ordenado, segundo contam os próprios aposentados, é destinado para os filhos. “A cada ano que passa, percebo que mais idosos estão disponibilizando suas rendas para ajudar os filhos e os netos”, completa.

É o caso de Rafael Chioca, 85 anos. Ele afirma gastar cerca de R$ 300,00 por mês com remédios para o coração. Sua renda é de R$ 1.200,00. “O restante vai para o pagamento da água e da luz. Os remédios estão muito caros. Minha mulher, às vezes, também precisa gastar na farmácia, o que encarece ainda mais a conta”, explica.

A aposentada Zenaide Magiliardo, 73 anos, também reclama dos gastos com medicamentos. Segundo ela, metade de sua renda tem de ser revertida para a compra de remédios. Ela sofre de estresse e depressão.

“Mesmo pagando plano de saúde, preciso gastar na farmácia. A maioria dos medicamentos para aposentados não são genéricos”, comenta. Magiliardo ainda conta que tem de sustentar a família sozinha, já que seus dois filhos estão desempregados. A aposentada continua trabalhando. “Vivo com dois filhos e uma neta. No momento, sou a única que gera renda na família. No Brasil é assim, todo aposentado, infelizmente, tem que continuar trabalhando”, frisa.

Para Acir Pontes, 80 anos, os gastos com medicamentos superam os que ele tem com a alimentação. Com renda mensal de R$ 840,00, chega a destinar quase a metade para a compra de remédios. “Gasto muito mais com remédio do que com comida. Tive que abandonar o plano de saúde porque a mensalidade estava custando R$ 450,00, ou seja, mais da metade do meu ordenado”, reitera. Pontes e a mulher têm problemas de circulação.

Abgnel Garrido, 70 anos, resolveu “administrar melhor” os remédios para diminuir os gastos na farmácia. “Ultimamente tenho tomado só a metade dos comprimidos e tem funcionado. Estou administrando para gastar menos. Quando eu os tomava inteiros, gastava mais de R$ 50,00 por mês”, destaca.

Pesquisa divulgada nesta semana pela Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que os gastos com plano de saúde foram os que mais pesaram no bolso dos idosos em 2005. As taxas de luz, água e esgoto são as despesas secundárias no orçamento dos aposentados, revela o levantamento.

As maiores contribuições para o crescimento do custo de vida dos integrantes da terceira idade no último trimestre do ano vieram da alimentação (44,67%), habitação (17,53%) e transportes (16,43%).