Há pelo menos dois anos reclamando de dificuldades financeiras e ameaçando fechar as portas do abrigo para adolescentes, o Centro de Valorização da Criança (Cevac), entidade instalada no Núcleo Geisel e que também mantém uma creche, chegou a um consenso: vai desativar o abrigo e encaminhar as adolescentes órfãos ou em situação de risco à Casa de Nazaré, outra entidade que mantém abrigo para meninas, e tentar ampliar a creche.
“Vamos deixar de atender oito adolescentes - a capacidade do abrigo é para 12 – e aumentar de 70 para 140 crianças atendidas na creche”, planeja Daniel Garcia Alonso, presidente do Cevac. Ele relata que há pelo menos dois anos a entidade vem enfrentando dificuldade para manter o abrigo que, por funcionar em tempo integral, é caro.
A entidade recebe verbas públicas, mas são insuficientes para cobrir todos os gastos do abrigo e da creche. “O Lions Clube Estoril tem custeado as nossas despesas. Procuramos colaboradores na cidade para tentar aumentar a arrecadação e, assim, manter o abrigo, mas não conseguimos. Então, decidimos desativá-lo”, relata.
Das 12 adolescentes que atualmente moram no Cevac, com idades entre 12 e 18 anos, quatro serão desabrigadas e as outras oito vão para a Casa de Nazaré. “O abrigo tem um alto custo. Se forem atendidas em um único local, esse valor cai”, analisa. Ele frisa que se propôs a conseguir doações mensais no valor de R$ 1 mil pelo período de um ano para ajudar a Casa de Nazaré, localizada na Vila Nova Esperança, além de repassar os móveis do abrigo à outra entidade.
Em contrapartida, Alonso afirma que o Cevac está disposto a ampliar a creche. “Vamos usar o espaço do abrigo para a creche. Essa proposta já foi feita à prefeitura, que forneceria os professores e merenda escolar”, afirma, lembrando que há crianças com nomes na lista para conseguir vaga na creche do Cevac.
O diretor da Casa de Nazaré, Édson Reis, confirma a transferência dos oito adolescentes que hoje estão no Cevac. “Estamos verificando o espaço físico. Vamos ter de fazer mais um cômodo, uma pequena ampliação, mas vamos sim receber estas meninas”, diz ele. Atualmente, a Casa de Nazaré, que tem capacidade para 20 meninas, mantém 12 adolescentes - duas delas, de acordo com Reis, logo serão desabrigadas porque completarão 18 anos.
Reis ressalta que as verbas públicas são insuficientes para a manutenção do abrigo, que hoje só funciona graças às colaborações da comunidade. “Recebemos R$ 147,00 por mês por menina, mas o custo é de R$ 577,00 por mês por menina. Conseguimos completar este valor com as doações do quadro de associados, contribuições mensais da Paróquia de São Benedito e promoções que fazemos”, conta. O fechamento do abrigo do Cevac vai reduzir o número de vagas para adolescentes do sexo feminino em situação de risco em Bauru de 32 para 20 vagas.