09 de julho de 2026
Internacional

CIA erra e entrega agentes e dados sobre bomba ao Irã

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Em duas operações surpreendentemente desastradas, a CIA perdeu de uma só vez toda sua rede de informantes no Irã e ainda entregou àquele país o desenho de um dispositivo que permite explodir a bomba atômica. Essas informações estão em livro lançado na terça-feira, “State of War” (estado de guerra), do jornalista americano James Risen, repórter do “New York Times”.

Extratos de suas revelações foram publicados anteontem pelo jornal britânico “The Guardian” e pelo francês “Le Figaro”. A entrega dos planos para a fabricação do mecanismo-chave para um artefato nuclear aconteceu em 2000. A identificação nominal de iranianos que trabalhavam como espiões para os EUA é de 2004.

A imperícia que provocou esse último desastre foi provocada por uma funcionária do setor de comunicações da CIA, cujo nome o livro de Risen não revela. Ela foi encarregada de transmitir uma mensagem aos agentes em operação em território iraniano. Tais mensagens são hoje transmitidas pelo equivalente a e-mails. Só que elas são codificadas e só podem ser decifradas por meio de um dispositivo relativamente simples, entregue previamente a cada destinatário.

Acontece que a funcionária se enganou e enviou a mensagem também para um espião que a CIA já sabia se tratar de um agente duplo. Ou seja, fazia de conta que trabalhava para os EUA, mas em verdade estava a serviço da república islâmica. O agente iraniano levou a informação a seus superiores, e é provável que os espiões a serviço da CIA tenham sido todos presos.

O livro não especifica quantos eles eram. Diz apenas que, no início do ano passado, o diretor da CIA, Porter Goss, disse ao presidente George W. Bush, em reunião na Casa Branca, que sua agência não tinha meios de confirmar se o Irã estava próximo de fabricar a bomba atômica. Em outras palavras, o governo americano navega no escuro com relação a um dos problemas mais sensíveis de sua política externa. É justamente sobre a bomba iraniana que ocorreu o primeiro desastre.

Segundo Risen, a “Operação Merlin” - nome de um mágico da mitológica corte do rei Artur -, se bem-sucedida, teria permitido que os EUA entregassem ao Irã um desenho incorreto do dispositivo de denotação nuclear, conhecido como “bloco de alta voltagem TBA 480”.

A CIA imaginou que, de posse de planos errados, os iranianos caminhariam na direção de um impasse tecnológico, o que atrasaria em alguns anos o projeto de se dotar da bomba.