10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O estado de repugnância ante ao repugnante


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Lamentavelmente, com freqüência, a mídia cuida de enfatizar o descalabro infeccioso que assola o País como a dengue hemorrágica, febre maculosa, raiva e leishmaniose havendo, em alguns casos, ocorrência de óbitos que nos tempos hodiernos se mostram inconcebíveis, justificáveis, entretanto, face à inoperância do poder público. No tocante à leishmaniose, a miopia crônica dos agentes públicos causa repulsa posto que ao invés de desenvolverem medidas eficazes à erradicação do mosquito flebotomíneo, extravasam desmedida incompetência evidenciada pelo sacrifício de cães, vítimas do famigerado inseto. Difícil imaginar que no Brasil, que acolheu homens geniais como Vital Brasil, Osvaldo Cruz e tantos outros, que através de suas descobertas contribuíram sobremaneira para a saúde humana, no desvendar contínuo das perscrutações científicas, agora, inobstante a existência de milhares de cientistas e biólogos, de instituições conceituadas como Fundação Fio Cruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Butantã, paira a impotência quanto à maneira de extinguir o protozoário, ou, ao menos, fórmula para dizimação do mosquito flebotomíneo. Basta o registro de casos de leishmaniose humana para que os expertos do órgão Departamento de Saúde Coletiva manifestarem, através da imprensa, dando conta de que desenvolverão intensos trabalhos no combate da moléstia, mas perseveram em medidas paliativas posto que a limpeza de quintais impede apenas a proliferação dos insetos dípteros, não tendo, contudo, poder de exterminar os que existem. Por outro lado, advertem a população para que entregue os cães com suspeita de leishmaniose para a “eutanásia humanitária”. Daí concluir-se que pelo menos no aspecto de figuras de linguagem merecem elogios ao dissimularem, através do eufemismo, a figura do algoz. Não mais se preocupam na verificação, diante de laudos conclusivos, se o animal está realmente infectado. Na simples suspeita, a execução será efetivada.

À vista desse quadro onde a barbárie se instala, forçoso reconhecer o descaso do Ministério Público, fiscal da lei, do Poder Legislativo, vigilante dos atos do Poder Executivo, e da Ordem dos Advogados do Brasil, instituição cujo princípio basilar é a administração da justiça, que não aplicam suas prerrogativas para impedir tais atos e compelir a Sucen para que utilize medidas que realmente surtam efeito, no combate ao mosquito flebotomíneo. Por outro lado, a par do panorama nebuloso, a luz se faz presente espelhada na opinião abalizada e consciente do doutor Fernando Monti, médico infectologista, que de maneira incisiva e coerente declarou que a ordem é exterminar os mosquitos para que o processo infeccioso termine. Infelizmente, dr. Fernando Monti, essa visão reveladora da sapiência desmedida da qual o senhor é imbuído não encontra respaldo nos agentes públicos que, tolhidos pela obscuridade, trilham por caminhos diversos, desapercebidos de objetividade e resultado. Ao jornalista Zarcillo Barbosa, a quem tanto admiro, que através de sua pena mágica ilustrou de forma poética a importância que o Juca representa no seio familiar, o pedido para que, através de sua verve e sabedoria, expresse opiniões que tenham o condão de sensibilizar as autoridades ao que foi exposto, não se olvidando que o Juca poderá ser vítima dessas práticas inquisitoriais.

Antonino Saes - RG 7.604.267