Ainda sobre o aumento do álcool, complementando as cartas nesta coluna de Paulo de Toledo (contra) e de Roberto Zancaner (a favor), gostaria de dizer: na carta do Paulo Toledo, ele cita que abasteceu em um posto a R$ 2,19 a gasolina e não cita o local, que provavelmente não seja em nossa cidade, pois aqui, para complementar o problema do aumento de custo do álcool, o “livre mercado”, coincidentemente, deixa o alcool a 1,69 o litro, com variações de até R$ 0,02.
Quanto à carta bem redigida do sr. Zancaner, ilustada com vários argumentos validos como o quase livre mercado (vide o exemplo dos postos), recomendando que também lucremos com isso através da compra de ações na bolsa de valores. Queria questionar com os seguintes dados.
Em primeiro lugar, o álcool que hoje está em média a R$ 1,69 nos postos de Bauru, estava há um ano e meio a R$ 0,45, ou seja, falamos de um aumento real (acima da inflação) de mais de 200% e lembremos também que esta fantástica recuperação só se deu devido a medidas do governo para incentivo do consumo do álcool, como aumento da porcentagem do álcool anidro na gasolina e outras.
Daí podemos concluir que esta fantástica recuperação se deu não só por competência empresarial e livre mercado, mas com uma ajudazinha do lobby das usinas no Congresso, e mais uma vez com esta brutal porcentagem de aumento, provando uma grande falta de visão mercadológica, pois com estoques reguladores os aumentos da entresafra não seriam tão grandes e a redução da safra seria menor, provocando uma maior estabilidade nos preços, como ocorre com os demais produtos agrícolas.
Eu acredito na força de mercado e na lógica da liberdade de preços e, por isso mesmo, não investiria em um mercado tão sazonal e ainda que depende de medidas governamentais para sua sustentação.
Márcio Milton Carvalho - RG 7.778.792