11 de julho de 2026
Política

‘Pára-quedistas’ levam 30 mil votos e não voltam mais

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Eles foram eleitos em 2002 com o apoio de milhares de eleitores de Bauru, ficaram entre os mais votados na cidade para a Câmara Federal e Assembléia Legislativa e levaram cerca de 29 mil votos, mas passados três anos, não apresentaram nenhuma proposta concreta e com resultados para a cidade. Somaram dezenas de milhares de votos. Algumas das referências para Bauru, encontradas na Câmara dos Deputados são de autoria do deputado Milton Monti (PL), que é da região (São Manuel), mas não está entre os mais votados. Ele teve 643 votos aqui, apresentou uma indicação e um projeto de lei. Entre os mais votados, o ex-deputado José Dirceu (PT), acionado pelo PT de Bauru, teria ajudado na liberação de verbas para o futuro aeroporto.

Dentre os “campeões” de voto na cidade, alguns alegam que fizeram projetos genéricos que beneficiaram categorias profissionais e vários municípios, mas especificamente para Bauru, nenhuma proposta foi sequer protocolada na Câmara Federal ou na Assembléia Legislativa.

Com os votos dados aos “forasteiros”, no total mais de 50 mil entre os mais e os menos votados, Bauru poderia ter representação na Câmara dos Deputados em Brasília e mais um deputado estadual. José Dirceu (PT), Bispo João Batista (PP), Enéas Carneiro (Prona), Jefferson Campos (PTB), José Mentor (PT), Xico Graziano (PSDB), Vicentinho (PT), Michel Temer (PMDB), Otávio Rogério (PDT) e João Herrmann (PSB) tiveram juntos, em Bauru, 29.783 votos. Se somarmos esse montante aos 72.896 votos que obteve o bauruense Caio Coube (PSDB), ele ficaria à frente, por exemplo, de Xico Graziano e estaria representando Bauru na Câmara dos Deputados.

Até Roberto Purini, à época candidato pelo PV, teria sido eleito se os votos dados aos pára-quedistas campeões de voto fossem herdados por ele. A última vaga do PV na Câmara foi preenchida por Marcelo Ortiz, que obteve 36.486 votos. Purini recebeu 16.116. Com os 30 mil votos a candidatos de fora, ele seria eleito com folga.

No entanto, não foram só candidatos chamados bons de votos que receberam apoio de eleitores de Bauru. Alguns mais obscuros também dividiram a preferência do eleitorado com candidatos da cidade. Nomes como Zé Índio (PMDB), Paulão do PT (PT), Marcílio Duarte (PST) entre outros tiveram seus nomes lembrados por eleitores de Bauru, mas não passaram nem perto de serem eleitos.

Entre os que mais receberam votos na cidade, um sequer foi eleito. Otávio Rogério (PDT) recebeu quase mil votos em Bauru, mas ficou há 34 mil votos de ser eleito, ou seja, os 934 eleitores que depositaram sua confiança em Rogério não têm nem a oportunidade de cobrar alguma coisa dele.

Deputados estaduais

Na Assembléia Legislativa, Bauru tem um representante, o deputado Pedro Tobias (PSDB). Apesar do trabalho constante do deputado, é muito pouco para uma cidade com mais de 200 mil eleitores. Vale lembrar que dos 123.960 votos que Tobias recebeu, apenas 59.244 foram de eleitores bauruenses, ou seja, menos da metade do total.

A diferença entre os candidatos a deputado federal e estadual nas eleições de 2002 esteve no fato de que os estaduais dividiram melhor a preferência do eleitorado em Bauru. Os cinco candidatos mais votados na ocasião são da cidade e somaram 110.873 votos, uma diferença de 17.917 em relação aos cinco candidatos a federal, que receberam juntos 92.956 votos.

Entre os candidatos a deputado estadual de fora que tiveram melhor votação em Bauru, apenas três foram eleitos. O “estrangeiro” mais votado entre os estaduais, João de Jesus (PFL), é um dos que não conseguiram vaga na Assembléia, apesar dos 54 mil votos que recebeu em todo Estado, sendo quase 10% deles em Bauru.

Outra que nem passou perto das portas da Assembléia foi Maria José Favarão, a Mazé (PT), com 7.911 votos conquistados no total, sendo 1.456 deles recebidos em Bauru, ou 18% do total.

Entre os eleitos, Waldir Agnello (PTB) Havanir Nimtz (PSDB) e Vaz de Lima (PSDB), a exemplo dos deputados federais, não apresentaram propostas para Bauru.