Apesar da tecnologia ter sido lançada na Europa em 1996, somente nos últimos anos vem ganhando espaço no Brasil, onde já pode ser encontrada em universidades de São Paulo, Curitiba, Campinas e Ribeirão Preto. Nesta última cidade, foi criada também a primeira clínica especializada em climatério da América Latina, pelo especialista Odilon Iannetta, autor do livro “Osteoporose: uma ex-enfermidade silenciosa”, lançado em novembro de 2005, que promete apresentar as novidades no diagnóstico da doença, que atinge principalmente as mulheres na fase do climatério. “Nesse período do climatério, dos 39 aos 65 anos, a mulher que não faz reposição hormonal perde 42% da massa do osso”, diz o médico.
O DBM Sonic BP (Bone Profile) é o equipamento dotado de inteligência artificial, a partir de estudos da Nasa, capaz de medir quantidade e a qualidade óssea, em especial do colágeno tipo 1. A tecnologia de origem européia permite realizar a osteo-sonografia e osteo-sonometria com um aparelho de apenas 12 quilos, que mede e avalia a massa do tecido do osso, avalia o perfil biofísico do organismo.
O médico Odilon Iannetta, professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), acompanhou as pesquisas que resultaram no equipamento e foi pioneiro em sua utilização no Brasil. Ele atua na área há mais de 30 anos e aponta a nova tecnologia como inovadora no diagnóstico antecipado da osteoporose. “Já usei vários métodos, que não foram tão eficazes. Os métodos antigos só avaliam a densidade pelo raio X”, diz.
Iannetta explica que grande parte da estrutura óssea é composta de colágeno tipo 1 e sua redução faz com que o cálcio não seja depositado no osso, por isso, a avaliação das condições ósseas antecipadamente pode evitar o surgimento da osteoporose. “O componente mais importante do osso é o colágeno tipo 1, uma espécie de coluna e laje se o comparássemos a um edifício em construção. O cálcio seriam, então, os tijolos. Agora, se eu não tenho as colunas e as ferragens, os tijolos não irão se fixar, não será possível construir a parede”, explica o especialista.
Ou seja, mesmo que as paredes estejam firmes, pode haver risco de fraturas se colunas e lajes tiverem algum problema, daí a importância de se avaliar a quantidade de colágeno tipo 1 na estrutura óssea. O equipamento, que hoje já está em sua terceira geração, permite que o diagnóstico seja realizado a partir dos 4 anos de idade. Apesar de ter sido lançado há quase dez anos, a tecnologia é recente no Brasil. Iannetta, com a proposta de divulgar os novos conhecimentos, publicou o livro “Osteoporose: uma ex-enfermidade silenciosa”, lançado no 51.º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, realizado no Rio de Janeiro, em novembro de 2005. Ele explica que a primeira geração do equipamento foi lançado em 1996, quando também participou da validação.
Desde então, ele faz diagnósticos que têm modificado a vida de pacientes que poderiam desenvolver a osteoporose. A bauruense Geny Simões Haddad, 80 anos, há 14 anos faz tratamento na Climaterium, em Ribeirão Preto, com Iannetta, na primeira clínica privada do gênero. Ele também foi responsável, em 1979, pela fundação do primeiro serviço público multidisciplinar do climatério da América Latina, no Hospital das Clínicas, de Ribeirão.
Geny, na época com 66 anos, foi levada à clínica pela filha, residente naquela cidade, com muitas dores. “Quando eu comecei, estava na cama, não conseguia nem me mexer de dor. Não conseguia tomar banho sozinha e tomava corticóides, pois achavam que eu tinha reumatismo. Minhas mãos, os dedos estavam tortos, com calombos, e a dor era horrível”, recorda. O método é indolor e feito pelos dedos.
Ela conta que todos os medicamentos foram suspensos e, após os exames, teve início a reposição necessárias de hormônio, cálcio e outras substâncias, além da verificação da quantidade de colágeno em seu organismo. Geny faz exames a cada seis meses e percebeu que a sua osteopenia, que antecede a osteoporose, estacionou. “Aos 80 anos, não sinto mais dores, faço ginástica, caminho, tenho uma vida bastante ativa. Em julho, tive uma queda que me assustou. Cai, bati com o joelho no solo, bati as mãos, foi uma pancada forte. Pensei que poderia ter fraturado, mas não quebrei nada”, diz.
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Difundir conhecimentos
O médico Odilon Iannetta, autor do livro “Osteoporose: uma ex-enfermidade silenciosa” pretende, com a publicação, difundir os conhecimentos para a comunidade médica. Ele revê o conceito de Albright, proposto em 1940, que relacionava a fratura apenas à redução da massa óssea. Seu objetivo é revisar os processos envolvidos com a remodelação óssea, além de explicar a participação dos fatores responsáveis pelo risco de fratura e suas desastrosas conseqüências que atingem a maturidade.
O médico especialista em climatério adianta que o avanço tecnológico continua e em breve será possível fazer o diagnóstico em recém-nascidos. “Eu tenho condições de medir a quantidade de colágeno tipo 1 no osso e a qualidade desse colágeno, ainda na infância. Se a criança tem uma quantidade e qualidade boas de colágeno, eu não ligo para essa criança. Agora, se o colágeno de outra não está desenvolvendo bem, vou cuidar, ver todos os hormônios do corpo, cuidar da alimentação.”
Para Iannetta, a questão central da osteoporose está diretamente relacionada com a deterioração da matriz protéica. Por isso, ele trabalha um novo conceito sobre osteoporose, que engloba a resistência tensil como fator de manutenção das propriedades mecânicas ósseas. Em outras palavras, a resistência à fratura está diretamente relacionada com a qualidade do colágeno, que define a qualidade óssea. Pode-se dizer que quanto maiores as deteriorações do colágeno maior a fragilidade óssea e maior o risco de fratura. www.climate rium.com.br