Cerca de 45 minutos de chuva intensa foram suficientes para arrumar trabalho para muito tempo em Bauru, ontem. Álvaro de Brito, presidente da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, contabilizou 30 chamadas, vários pontos de alagamento na cidade, quatro rios com trechos transbordando, 70 pessoas resgatadas e cerca de mil casas atingidas pela água ou lama. Mais uma vez, a periferia foi a maior prejudicada. Mesmo com todos os estragos, a chuva, que se intensificou a partir das 18h30, não deixou nenhuma vítima ou desabrigados.
A estação automática do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apontou que a chuva acumulada desde as 9h de ontem foi de 42,7 milímetros. Como antes das 17h30 não havia chovido, quase todo esse volume corresponde ao temporal. “Foi a pior chuva do verão”, sentencia Brito. E a meteorologista do IPMet Zildene Pedroso Emídio garante: outras virão durante o mês. “Nos últimos 30 anos, janeiro se mostra como um dos meses mais chuvosos da região”, conta. Ontem, em cerca de 45 minutos choveu o volume correspondente a seis dias de janeiro.
Com a água, vieram os problemas. O muro da Escola Municipal de Ensino infantil (Emei) Maria de Pádua está prestes a desabar, ameaçando uma residência na rua Antônio Hojas, no Jardim Helena. “A água passava por baixo do muro. Amanhã (hoje) vamos fazer uma avaliação das condições dele”, informa Brito.
Os pontos de alagamento aumentavam rapidamente, como em trechos da avenida Nações Unidas e da rua Alfredo Maia, no Centro, onde a casa de Odete Rosa da Silva Jordão foi uma das mais atingidas, na quadra 1. Quando a água começou a subir, todos correram para salvar móveis e eletrodomésticos, mas o sofá ficou comprometido. Na mesma rua, os bombeiros foram acionados para resgatar 70 fiéis - 50 adultos e 20 crianças - que ficaram presos numa igreja. Foram necessárias várias viagens de bote para que todos fossem removidos em segurança.
Na praça Machado de Mello, um ônibus da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ficou ilhado. Uma parte de gesso de uma loja localizada na avenida Getúlio Vargas caiu.
A casa do vigilante Valdeir Gomes, na quadra 2 da rua José dos Santos Garcia, Vila Nova Bauru, foi uma das cerca de mil residências que Brito afirmou terem sido atingidas pela água, que não parava de subir. “Estou ilhado. Faz quatro anos que isso acontece aqui e ninguém toma providências”, critica.
Os córregos da Ressaca e da Forquilha tiveram trechos de alagamento e o Rio Batalha, na altura do Boa Vista, também transbordou, além de alguns pontos do Rio Bauru. “A periferia foi a mais judiada com princípios de erosão, buracos, sujeira e problemas no asfalto”, pontua o defensor. Entre os bairros críticos, ele aponta a Pousada da Esperança 1 e 2, Jardim Ivone, Santa Cândida, Parque Viaduto, Jardim Carolina, Jardim Nicéia, Parque Roosevelt e Ferradura Mirim.
A Defesa Civil aconselhas às pessoas que sempre enfrentam esse problema para que, assim que perceberem que a água atingiu o nível crítico, liguem para o Corpo de Bombeiros. “Primeiro deve-se preservar a vida. Quanto ao patrimônio, aconselhamos acomodar os bens nos lugares mais altos da casa”, explica Brito. A população também deve se conscientizar, evitando acumular lixo nas vias públicas e, principalmente, não se arriscando. “Não atravesse áreas alagadas, contorne o local, espere baixar, mas não se arrisque”, aconselha Brito.
Apesar do grande prejuízo, ele destaca que não houve nenhuma vítima grave ou pessoas que perderam suas casas. Se a chuva intensa tivesse se estendido, o estrago poderia ter sido maior. “Bauru venceu esse round, mas foi salva pelo gongo”, avisa.
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Trabalho duro
Álvaro de Brito informa que hoje será feita uma avaliação dos prejuízos causados pelo temporal. “Como a chuva foi no começo da noite, muita coisa a gente só vai perceber no dia seguinte”, explica. A contabilização do prejuízo pode aumentar também com os danos na zona rural, que ainda não foram comunicados. “Isolados pela chuva, os moradores rurais só poderão ver o que aconteceu pela manhã”, observa.
Na cidade, os trabalhos vão começar com a liberação dos acessos aos bairros. O trânsito das linhas de ônibus também serão recuperados. Depois será a vez dos acessos aos equipamentos de saúde e educação e as saídas para as rodovias. Equipes da prefeitura irão até os locais mais atingidos para estudar que tipo de reparo terá de ser feito. “Se for galeria, é com a Secretaria de Obras. Se for pequenos reparos, as próprias regionais podem fazer, mas caso sejam obras de grande monta, talvez até uma força-tarefa entre várias secretarias seja necessária”, conta.
O trabalho não será fácil. “Quando é constante, como nos meses de janeiro e fevereiro, a chuva não deixa espaço para que as obras de reparo sejam feitas”, explica Brito.