09 de julho de 2026
Nacional

Brasileiros devem permanecer no Haiti

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Apesar da morte do general Urano Teixeira da Matta Bacellar, ocorrida anteontem em um hotel de Porto Príncipe, capital do Haiti, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em comunicado divulgado na noite de anteontem que o governo brasileiro vai continuar “apoiando o povo haitiano na construção da paz e na normalização política do país”. Lula também pediu uma investigação “imediata e ampla” sobre a circunstâncias da morte do militar.

O traslado do corpo ao Brasil será feito pela Força Aérea Brasileira (FAB). O mesmo avião que transportou uma delegação brasileira até o país, para participar das investigações, deve trazer o corpo de volta. Bacellar, 58 anos, era comandante da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, a Minustah, e assumiu o posto em agosto passado, substituindo o general Augusto Heleno Ribeiro. Seu corpo foi encontrado anteontem. Agências de notícias internacionais dizem que ele cometeu suicídio.

O porta-voz da Minustah, Damian Onses-Cardona, rejeitou dar explicações sobre as circunstâncias da morte do oficial. O governo brasileiro não confirma essas informações. Segundo a "Folha de S.Paulo", a possibilidade de suicídio é tratada com extrema cautela porque, segundo o jargão militar, o general não apresentava nenhum “sintoma” e, anteontem, teria jantado normalmente com a tropa em Porto Príncipe.

Segundo declaração do tenente coronel Fernando da Cunha Matos à Agência Brasil, o general morreu em um “acidente com arma de fogo”. Lula orientou o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a expor ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, as expectativas do governo brasileiro em relação a esta investigação “imediata e ampla”. Também pediu que a equipe dos órgãos brasileiros envolvidos se desloque imediatamente ao Haiti - a missão partiu ontem.

A nota do Itamaraty diz também que Bacellar era conhecido por seu “preparo e competência”, e “vinha conduzindo com excelência e grande responsabilidade a difícil tarefa de comandar” a missão brasileira no Haiti. Substituto O general chileno Eduardo Aldunate Herman deve assumir interinamente o comando da missão militar no Haiti, informou anteontem o Ministério de Defesa chileno. O novo comandante da missão deverá ser escolhido pela ONU.

Nos últimos dias, membros da Minustah têm sido objeto de fortes críticas no Haiti, devido a uma crescente insegurança no país, principalmente em Porto Príncipe. A Minustah conta 7.500 homens procedentes de 14 países. O Brasil tem o maior contingente no país -1.213 efetivos- seguido pelo Nepal, Jordânia e Sri Lanka, com 750 militares cada um. Argentina, Chile, Uruguai, Peru, Espanha e Marrocos também contribuem com soldados.

Eleições

O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti apresentou ontem uma sugestão de nova data para as eleições no país, já adiadas quatro vezes. Segundo Rosemond Pradel, secretário-geral do conselho, foram enviadas ao presidente interino Boniface Alexandre as datas de 7 de fevereiro para o primeiro turno e 19 de março para o segundo turno. O governo interino foi instalado para administrar a transição entre a guerra civil que seguiu a derrubada de Jean-Bertrand Aristide, em 2004, e o governo eleito pela população. Mas problemas de segurança e atrasos na distribuição dos títulos de eleitor e na preparação dos locais de votação justificaram os adiamentos anteriores.