08 de julho de 2026
Nacional

Conselho quer acelerar processos de cassação contra seis deputados

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Após semanas de Congresso esvaziado, o Conselho de Ética da Câmara vai tentar acelerar o desfecho de ao menos seis dos 11 processos de cassação de mandato dos deputados supostamente envolvidos no escândalo do “mensalão” no período de convocação extraordinária - que expira em 15 de fevereiro.

Os trabalhos do conselho, que foi duramente criticado por ter saído de férias em meio à convocação, recomeçarão na tarde de hoje, com uma reunião agendada pelo presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), com os 11 relatores dos processos de cassação no conselho. A intenção de Izar é pressionar os relatores e fazer uma triagem dos casos que estão mais adiantados para colocá-los em votação em série até o final do período de convocação.

Após a apresentação de cada parecer, há prazo de cinco sessões para votá-los. Além disso, qualquer integrante do conselho pode pedir vista do processo em seguida, o que retardaria a votação em mais duas semanas. Segundo Izar, quatro casos serão concluídos nos próximos dias: Pedro Corrêa (PP-PE), Roberto Brant (PFL-MG), Wanderval Santos (PL-SP) e Professor Luizinho (PT-SP).

Agenda

A agenda do conselho prevê cerca de seis depoimentos de testemunhas ao longo da semana, terminando com a apresentação do parecer do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), relator do pedido de cassação de Pedro Corrêa, na quinta-feira.

“Vamos encerrar tudo rápido e fazer uma surpresa nesta convocação extraordinária”, declarou Izar, que também agendou um encontro com o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR). O peemedebista causou polêmica ao afirmar que está convencido da existência de um acordo para livrar os deputados. Na outra ponta do eixo de investigações, a CPI dos Correios tenta retomar o fôlego, com 11 depoimentos agendados para esta semana - outros 22 estão marcados até o dia 19.

Os principais depoimentos da CPI estarão centralizados na sub-relatoria de fundos de pensão, comandada pelo deputado ACM Neto (PFL- BA). Na quinta-feira, a comissão ouvirá dois diretores financeiros da Prece Previdência Complementar (fundo dos funcionários da Cedae, companhia estadual de saneamento do Rio), Magda das Chagas Pereira e Pedro Evandro Ferreira. A Prece integra a lista dos 14 fundos de pensão que estão sendo investigados por suspeitas de desvio de recursos com finalidade política.

De acordo com um relatório elaborado por ACM Neto, a Prece foi o fundo que teve a maior perda, de R$ 309 milhões. O fundo contesta os dados. A CPI também ouvirá, na terça-feira, o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues, convocado para dar informações sobre as movimentações financeiras da agência SMPB, do empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como o operador do esquema do “mensalão”.