08 de julho de 2026
Polícia

Deinter-4 tem sistema usado contra máfia

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O Departamento de Polícia Judiciária de Bauru (Deinter-4) apresentou ontem o sistema Phoenix, que permite à Polícia Civil acesso a um amplo banco de dados, agilizando a elucidação de crimes. O novo programa deve ser implantado em todas as delegacias seccionais do Estado de São Paulo até o final deste ano, num investimento de R$ 25 milhões.

O sistema começou a ser testado pelo Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo em 2002 com a previsão de ser implantado no Interior Paulista em dois anos, conforme o JC noticiou na época. Atualmente, já está em funcionamento, há mais de um ano, em oito delegacias seccionais de São Paulo.

Na área do Deinter-4, estará totalmente implantado a partir do próximo semestre. Na Delegacia Seccional de Bauru, o novo sistema está em fase de teste. Trata-se sistema de identificação eletrônico italiano que foi usado no combate à máfia daquele país. Ele contém um banco de dados único que é um verdadeiro ‘prontuário’ daquele que está sendo identificado.

Através do acionamento do ‘prontuário’, em poucos minutos, a polícia fica a par de todos os detalhes sobre a pessoa pesquisada. O sistema capta, através de foto, imagens de frente e perfil, voz e impressões digitais do cidadão requisitado. O sistema permite acesso a características físicas, inclusive tatuagens, cicatrizes e deformações do corpo. O banco de dados também contém informações sobre cor da pele, olhos e tipo do rosto da pessoa pesquisada.

Além disso, o modo de agir do marginal e suas passagens penais estarão registradas no ‘prontuário’. Desta maneira, uma pessoa que vai à delegacia para registrar o extravio de um documento, por exemplo, poderá ser detida caso esteja registrado no sistema que ela é procurada por determinado crime.

Com a ajuda do sistema Phoenix, a polícia espera identificar mais facilmente autores de crimes e localizar fugitivos. O coordenador das Unidades de Inteligência do Deinter-4, delegado Donisete José Pinezzi, frisa que o sistema vai ajudar também na elaboração do retrato-falado.

“O sistema permite que informações das vítimas sejam inseridas e, através delas, seja montada uma imagem em duas ou três dimensões”, explica. O equipamento permite, ainda, que ao retrato-falado sejam adicionadas expressões faciais que aumentam a probabilidade de identificação da pessoa procurada.

Complementação

O Phoenix é um sistema que integra as informações do Registro Digital de Ocorrência (RDO) com banco de dados de fotos, impressões digitais, imagens, sons, entre outros. Ele cruza informações e agiliza o trabalho, exemplifica o coordenador do Núcleo de Ensino do Deinter-4, delegado Mário Leite de Barros Filho.

“Se em Bauru for encontrada uma arma, por exemplo, e ela for prova material de um crime em outra cidade do Estado, automaticamente o sistema avisa”, frisa. De acordo com ele, o sistema contém também informações do Departamento de Trânsito (Detran). “Se for digitado o número de uma placa de veículo para consulta, aparecerão todas as informações que se relacionam a ele”, completa.

Próximo passo

O próximo passo para o Deinter-4 é a implantação do sistema Ômega, de acordo com Pinezzi. O novo sistema que o delegado pretende apresentar no próximo mês foi anunciado em 2004 pelo secretário estadual da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho e já foi implantado na Grande São Paulo, Campinas, Santos, São José dos Campos e Sorocaba.

O programa de computador permite o cruzamento de dados e é usado pelos policiais através da Internet. Ele permite que os policiais tomem conhecimento da ocorrência de um crime on-line. Ele integra vários bancos de dados, inclusive da Junta Comercial.

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Ajuda em seqüestro

O sistema Phoenix também pode ajudar a esclarecer seqüestros uma vez que o banco de dados inclui vozes. Se a polícia gravar a voz de quem telefone para negociar o resgate, poderá compará-la com as existentes no banco de dados para chegar ao autor do crime. “ A voz é como a impressão digital, é individual. A análise do timbre permite a identificação de uma pessoa caso ela esteja cadastrada no sistema, ser for de um ex-presidiário por exemplo”, diz coordenador do Núcleo de Ensino do Deinter-4, Mário Leite de Barros Filho.

Um perito de São Paulo foi habilitado na Itália para fazer a comparação de milhões de vozes e chegar a um grupo menor e, finalmente, definir os suspeitos. Os possíveis disfarces na voz usados pelo seqüestrador é descartado pelo sistema, porque ele trabalha com a base. A probabilidade de acerto é de 99%.