11 de julho de 2026
Bairros

Dois terços da tubulação da Nações estão entupidos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Não é necessário ser levado pela correnteza ou ficar ilhado na avenida Nações Unidas para apontar a via pública como bomba-relógio. Cálculo de vazão realizado no final do ano passado pela Regional Administrativa Centro aponta obstrução em dois terços da tubulação instalada sob a avenida, que canaliza o Ribeirão das Flores e capta água da chuva.

“O canal sofre um assoreamento constante e a vazão da galeria diminuiu. Fizemos um trabalho para que a água escoasse o mais livre possível. Limpamos 660 bueiros na avenida, no Centro, em parte da Vila Falcão e alguns do Bela Vista. A necessidade (de desobstrução) é constante”, explica Darcy Rodrigues, atual diretor do Departamento de Uso e Ocupação do Solo, órgão da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan).

Quando fez o estudo, em novembro passado, ele era administrador da regional. “Com a enchente que houve (anteontem), aumentou o resíduo. Eu tenho uma idéia, que poucos aceitam, de abrir a avenida e deixar o Ribeirão das Flores a céu aberto. Como está, não dá para limpar. As galerias estão com vazão muito pequena”, reitera Rodrigues.

Ao final de 2005, ele procurou o titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Carlos Barbieri, para discutir a eventual abertura do canteiro central da avenida com vistas à limpeza da tubulação. A idéia era facilitar a entrada de funcionários que pudessem proceder o serviço (de desobstrução). “Não tem alçapões de entrada. Acredito que tenha que abrir o solo. Tem sonda, mas acho insuficiente”, explica.

Contraponto

A preocupação do ex-administrador da Regional Administrativa Centro não é compartilhada pelo coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, para quem a intensa velocidade das águas sob a Nações impediria eventuais obstruções. “Eu já ouvi de técnicos do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE). Além disso, quando chove, a calha fica cheia. Se estivesse entupida, não encheria”, argumenta - com base em avaliação realizada há aproximadamente sete anos.

Os cálculos procedidos por Darcy não foram oficialmente comunicados ao coordenador da Defesa Civil, nem ao presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Clemente Rezende, ou ao titular da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), Nélson Fio. Em outubro do ano passado, por causa da proximidade do período de chuvas, Fio comunicou à imprensa o deslocamento de equipes para limpar as bocas-de-lobo das ruas e avenidas.

Na ocasião, ele informou também que estavam sendo instaladas grades de ferro na boca de bueiros da região central da cidade. A medida previne contra a entrada de entulho e acidentes, como a queda de pedestres dentro da tubulação.