O meteorologista José Carlos Figueiredo, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru, desenvolveu o radar meteorológico, um equipamento capaz de medir a quantidade de chuva num raio de 240 quilômetros de extensão e que substitui o tradicional pluviômetro, que só faz a análise no local onde está instalado.
A novidade no campo da meteorologia é resultado da tese de doutorado de Figueiredo, denominada “Pluviometria para a região central do Estado de São Paulo utilizando ecos de radar meteorológico”. A pesquisa, inédita, segundo o meteorologista, foi realizada em dez anos e apresentada no câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu no último dia 2 de dezembro.
Conforme o autor do projeto, o radar meteorológico terá, sobretudo, uma função preventiva uma vez que fornece dados para previsão da ocorrência de tempestades e em quais locais. Figueiredo, durante seu trabalho científico, detectou três grandes focos de tempestade no Estado de São Paulo. O maior deles é em Campinas. As cidades de Mirassol e Piracicaba também mostraram incidência elevada do fenômeno.
“Essa pesquisa ainda vai ser útil à engenharia civil, à Defesa Civil, aos campos agrícolas e a uma série de outros segmentos da comunidade. Poderá ajudar, por exemplo, na construção de aeroportos. Sabemos, inclusive, que seria loucura instalar um aeroporto em Mirassol, já que constatamos que a cidade é um ponto de grande concentração de tempestade”, explica Figueiredo.
O trabalho do meteorologista foi desenvolvido entre 1994 e 2004. Durante os dez anos, a chuva foi acompanhada por quilômetro quadrado de novembro a março de cada ano, por conta de serem considerados meses bastante chuvosos. Cerca de 65% das chuvas anuais, na região central do Estado de São Paulo, ocorrem nesses meses.
O pesquisador comenta que o radar do IPMet possui – um em Bauru e outro em Presidente Prudente - custa em torno de US$ 1 milhão.
Funcionamento
De acordo com Figueiredo, o radar meteorológico, assim como qualquer outro radar, funciona através de propagação de ondas, as quais emitem mensagens através de um retorno denominado eco.
O equipamento, segundo ele, seria mais eficaz que o pluviômetro. Sua medição alcança um raio de 240 quilômetros quadrados, enquanto o pluviômetro faz a medição apenas num determinado ponto.
O radar, conforme o meteorologista, não possibilita medir a pluviosidade ou prever tempestades em Bauru. “Como ele está instalado no câmpus da Unesp, que fica no município, assim como todos os radares, não consegue ‘enxergar’ o local onde está fixado. Mas, assim que acionarmos o radar de Presidente Prudente, teremos uma visão ampla de Bauru e de todo o Estado”, explica.
Na verdade, o radar pode abranger distância de até 450 quilômetros. Entretanto, segundo Figueiredo, sua coleta de dados é mais efetiva e confiável num raio de 240 quilômetros.
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Semelhança
Um cientista norte-americano desenvolveu projeto parecido ao do meteorologista José Carlos Figueiredo, comenta o próprio pesquisador. Ele conta que sua pesquisa foi apresentada em congresso no Japão, onde, na oportunidade, trabalho semelhante, desenvolvido por pesquisador dos Estados Unidos, foi exibido.
Os resultados obtidos também foram praticamente os mesmos, porém, ao invés de radar, o cientista utilizou um satélite meteorológico.