10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Financiamento da habitação da CEF cresce 69% em 2005

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Todas as terças-feiras pela manhã, cerca de 90 pessoas se reúnem na agência da Caixa Econômica Federal (CEF) localizada na esquina da Gustavo Maciel com a Ezequiel Ramos, no Centro de Bauru. Dos mais variados perfis e rendas, eles escutam atentamente as informações dadas pelo funcionário do banco. Em comum, todos buscam orientações sobre financiamento para a casa própria. Segundo estimativa do banco, mais de cinco mil pessoas já participaram da palestra, o que ilustra os dados divulgados ontem pelo Escritório de Negócios da CEF: o número de contratos de financiamento fechados em 2005, em comparação a 2004, subiu 69%. O ritmo é de crescimento após uma queda acentuada.

No ano passado, 4.065 habitações foram financiadas em Bauru e região pela CEF. Já em 2004, o número de famílias que fecharam o contrato com a CEF foi de 2.399. O dinheiro disponibilizado também cresceu de R$ 38 milhões para R$ 72 milhões. E para 2006, a quantia é ainda maior. A região de Bauru já possui R$ 80 milhões para serem investidos em financiamentos. Só nos primeiros dias do ano, a CEF já fechou 50 novos contratos.

Olair Ribeiro Filho, gerente de mercado do Escritório de Negócios, afirma que o número de linhas de crédito disponíveis e a publicidade em torno dos financiamentos ajudaram a alavancar o fechamento de contratos. Só na CEF existem 18 tipos diferentes de crédito, como o financiamento de casas, material de construção, compra de terreno junto da construção da moradia, entre outros. E diferentes formas de contrato, como os que utilizam recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento parcial do imóvel, preferidos por 38% dos interessados.

Além disso, ele aponta que os demais bancos do País passaram a oferecer financiamento para moradia, o que aumentou ainda mais o número de pessoas com acesso à casa própria no Brasil. Na região de Bauru, a maioria das pessoas que financiaram imóveis pela Caixa fechou contrato para imóveis usados. “Preferem casas que já estão construídas pela comodidade. Financiar uma construção exige uma série de documentos, como aprovação da planta pela prefeitura, certificação de que todos os impostos estão em ordem”, comenta Ribeiro Filho.

Ele acredita que a estabilidade econômica atual permite que as pessoas façam um financiamento sem maiores problemas. O famigerado saldo devedor, que ainda assusta muita gente, não pode mais ser considerado um entrave, na opinião do gerente de mercado do Escritório de Negócios da CEF. “Com a situação econômica que estamos vivendo, com o controle da inflação, o cliente ao terminar o seu financiamento estará com o saldo devedor praticamente quitado”, sustenta.

O casal Paulo e Renata Frederico iniciou um financiamento no ano passado. Na Caixa Econômica Estadual, conseguiram financiar 60% de um imóvel já usado. Fecharam um acordo para 15 anos, mas pretendem utilizar o FGTS para quitar a casa em menos tempo. “Tínhamos um dinheiro guardado, o que foi muito bom para quitar o restante e reformar o imóvel”, explica Paulo, que é professor universitário.

Eles moravam em um apartamento de dois quartos, mas a chegada do filho do casal para o final deste mês, fez com que procurassem um espaço maior. “Por mais que a economia possa ficar instável, se você não encara um financiamento, não consegue comprar um imóvel”, observa o professor.