08 de julho de 2026
Polícia

Pipa com cerol dará multa de R$ 70,00

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A partir de agora, quem for flagrado empinando pipa cuja linha contenha cerol, a mistura de vidro moído com cola, será multado em R$ 70,00. É o que prevê a Lei 70/2001, de autoria do deputado estadual Rafael Silva (PDT), aprovada na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo no mês passado. Entre 2004 e 2005, pelo menos cinco casos de mortes ocasionadas pelo cerol foram registradas no Estado de São Paulo. Em Bauru, nos últimos anos, ocorreram acidentes, mas sem gravidade.

Para o capitão da Polícia Militar (PM) Jorge Duarte Miguel, a lei é bem-vinda. Ele analisa a medida como fator inibidor da prática, embora admita que, para funcionar, será preciso uma intensa fiscalização, que será feita pela própria polícia. Se o infrator for menor de idade, os pais serão responsabilizados e obrigados a pagar a multa, segundo a lei, que já está em vigor.

Ele lembra que a PM apreendeu em Bauru no dia 1 de agosto do ano passado - aniversário da cidade - 70 latas com cerol no Parque Vitória Régia. Elas estavam sob a posse de crianças e adolescentes com menos de 16 anos de idade.

A necessidade da conscientização sobre a nocividade do cerol também é ressaltada pelo capitão. “Não basta apenas termos uma lei e deixarmos de lado a questão educativa. A legislação é viável, mas vai precisar, acima de tudo, de um tempo para alcançar sua eficiência. Entretanto, a educação é imprescindível. Ela tem que ser sistemática, tanto nas escolas quanto nos meios de comunicação”, completa capitão Jorge.

Ele destaca que a Polícia Militar tem combatido, incessantemente, o uso do cerol em Bauru. Ele cita o programa Jovens Construindo Cidadania (JCC), que tem o objetivo de prevenir o crime entre crianças e adolescentes no município. O projeto oferece aos jovens, nos meses que antecedem os períodos de férias, cursos de educação contra o cerol. São ministradas palestras e apresentadas simulações dos riscos que o produto pode causar às pessoas, principalmente aos mototaxistas.

Prevenção

Os professores também são submetidos ao curso para reforçarem a prevenção à prática em sala de aula. O programa, segundo o capitão, tem atingido, principalmente, estudantes de escolas municipais e estaduais de Bauru e das terras indígenas da aldeia de Araribá, no município de Avaí.

De acordo com o capitão Jorge, além do trabalho preventivo, a PM faz a fiscalização, geralmente após o recebimento de denúncias anônimas informando sobre o uso do cerol. O patrulhamento de viaturas pela cidade, especialmente em locais onde é comum encontrar crianças e adolescentes soltando pipas, também é feito regularmente e rende, segundo Jorge, muitas apreensões.

“Ao serem detectados os grupos de crianças que utilizam cerol, são apreendidas as latas com o produto e os pais são acionados e advertidos. A ocorrência ainda é levada ao conhecimento da Delegacia da Infância e Juventude (Diju)”, explica o capitão.

Ainda de acordo com ele, o uso do cerol é comum entre crianças com idade a partir dos 7 anos. Há casos, de acordo com o capitão, em que os pais auxiliam os filhos no preparo da mistura.

“Os pais têm que entender que o cerol é uma prática que pode causar, não só um acidente, mas também uma morte, como já aconteceu em Bauru, Marília e Jaboticabal. Cerol é crime, acima de tudo”, reitera.

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Vítima do cortante

Em Bauru, no ano de 2004, o mototaxista Roberto Carlos Fagundes, 38 anos, foi vítima do cerol. Ele descia a avenida Moussa Tobias quando uma linha com o produto cortou seu dedo.

“No momento não senti nada, mas precisei dar 50 pontos. Depois disso, nunca mais andei sem antena no guidão da moto. Foram 30 dias perdidos de serviço para minha recuperação. O jeito é os motoqueiros se prevenirem porque a molecada nunca vai deixar de soltar pipa com cerol”, comenta.