08 de julho de 2026
Regional

Foguetes eram caseiros, conclui Gate

Por Da Redação | Com Agência Estado e Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Presidente Bernardes - Técnicos em explosivos do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar de São Paulo concluíram que os dois foguetes que seriam usados para destruir os muros da Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Bernardes foram fabricados de forma improvisada, não usam material padrão da indústria bélica e não pertencem ao Exército, como se chegou a noticiar.

No entanto, de acordo com o tenente Roberto Augusto Aguilar, do Gate, somente depois de uma análise mais profunda é que se poderá saber se os foguetes teriam a capacidade de destruir os muros da penitenciária. Segundo Aguilar, dentro de 30 dias aproximadamente o Gate deverá elaborar um relatório sobre o artefato.

Os dois foguetes e seus detonadores foram levados para a sede do Gate, em São Paulo, onde a partir de amanhã, os técnicos começam a examiná-los para saber qual seu poder destrutivo, o tipo de explosivo que armazenam e qual sistema de detonação. Os lançadores dos foguetes, instalados em duas peruas Zafira, que ficaram apreendidas em Presidente Prudente, também são de fabricação improvisada, concluiu o Gate.

Grades serradas

Um dia depois da tentativa de resgate de presos no complexo penitenciário de Presidente Bernardes, a Secretaria da Administração Penitenciária confirmou a transferência de 22 presos para o setor disciplinar da unidade. Segundo o órgão, na noite da ação, funcionários descobriram grades serradas em sete celas onde eles estavam.

A reportagem apurou com fontes da PM e do sistema carcerário que, entre os presos transferidos, estava Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) e possivelmente um dos beneficiados caso a ação de anteontem fosse concretizada.

Ontem, cem policiais e 90 agentes de segurança fizeram uma vistoria na unidade e encontraram, entre outros objetos, 29 celulares, 17 barras de ferro, 18 facas artesanais e 18 papelotes de cocaína.

Arsenal

A tentativa ocorreu na madrugada de anteontem. Armados com metralhadoras, fuzis e até dois foguetes, criminosos chegaram atirando contra os policiais da muralha, que reagiram e impediram o resgate. Na fuga, dezenas de criminosos fugiram e abandonaram carros e armas.

Quatro foram presos acusados de participação no crime. O último deles foi localizado no final da noite de ontem. Segundo a Polícia Civil, ele estava foragido, e cumpria pena por roubo em penitenciária de Presidente Prudente e seria o responsável pela cobertura do grupo, orientando os demais criminosos sobre a segurança do presídio e rotas de fuga.

“Temos fortes indícios de sua participação. Perto de sua casa foram encontrados o carro abandonado com um dos mísseis e um rádio de comunicação. Mas temos outras informações que reforçam a sua participação”, disse o delegado seccional de Prudente, Marcos Mourão.

A Polícia Militar continua as buscas e a Civil passou a investigar a hipótese de os criminosos terem errado o alvo, que seria a chamada P1, onde está Marcola, e não o Centro de Readaptação Penitenciária, considerado o mais rígido do País e que foi atacado pelo grupo.

Ao todo, os policiais apreenderam 170 munições para fuzil 762; 215 munições para fuzil 556; sete carregadores para 556; quatro carregadores para 762; um fuzil 762; um fuzil HK-556; dois foguetes; duas mesas para lançamento com telescópio; uma pistola ponto 40; dois fuzis AR-15 calibre 556; três fuzis Ruger calibre 556; e uma metralhadora Lehky Kulomet ZB ponto 30 de fabricação russa que, segundo a polícia, pertence ao Exército da Bolívia.