09 de julho de 2026
Nacional

País sentirá avanços em 2006, diz Lula

Por Pedro Dias Leite e Eduardo Scolese | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou visita do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Rodrigo Rato, para capitalizar politicamente o pagamento antecipado da dívida de US$ 15,5 bilhões com o fundo. “Estamos aqui para registrar - e até mesmo para celebrar - a superação vitoriosa de uma etapa da história econômica do Brasil”, disse.

Na época do anúncio, em 13 de dezembro, Lula só comentou a decisão dias depois. Ontem, reuniu parte da cúpula econômica do governo e cerca de 30 empresários para marcar o pagamento. Ao lado de Rato, repetiu o que já dissera antes: “Este é o significado central do ato de ontem. Graças a uma política econômica coerente, ao trabalho sério do governo e de toda a sociedade, o Brasil está dizendo ao mundo que já pode caminhar com as próprias pernas”.

Além da independência em relação ao Fundo, Lula bateu na tecla da conjunção entre responsabilidade na economia e preocupação com o social. “Nos orgulhamos de haver dado a melhor das repostas não só aos países e organismos que nos apoiaram, mas principalmente à sociedade brasileira. Foi ela quem nos honrou com a sua confiança e com o mandato presidencial. E que está recebendo de volta resultados concretos, decorrentes de políticas de governo e da dedicação e criatividade de nossos trabalhadores e empreendedores”, disse.

O presidente delineou em sua fala o que vai ser a plataforma de sua provável campanha eleitoral: “Estejam certos de que os bons frutos dessa convergência de esforços e resultados nas esferas econômica e social poderão ser sentidos pela população de modo ainda mais direto e positivo neste ano de 2006”.

Lula tentou diferenciar seu governo do de seus antecessores. “Para nós, o econômico e o social sempre estiveram integrados em um projeto de governo mais amplo, sempre foram faces de uma mesma moeda. E as vitórias que temos obtido nestas duas áreas, muitas delas inéditas na história do país, mostram que acertamos ao adotar essa estratégia”, disse.

Lula aproveitou para cutucar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, numa crítica indireta à sua atuação na eleição anterior. “No que depender de mim e do governo, o cenário econômico e financeiro deste ano eleitoral será muito diferente daquele de 2002. Como já reafirmei inúmeras vezes, não permitirei que interesses eleitorais comprometam nossa estabilidade financeira.”

Diferente do Lula de anos atrás, refratário ao FMI, o presidente afirmou que a relação com o Fundo “não se encerra com a quitação de nossa dívida, muito pelo contrário, nosso relacionamento muda de patamar e de qualidade”. Lula defendeu ainda o aumento da influência dos países em desenvolvimento no FMI. E admitiu ter “a perfeita noção de que ainda resta muito por fazer”, mas que “finalmente e definitivamente o Brasil encontrou seu caminho”.