08 de julho de 2026
Nacional

Laudo aponta suicídio de general

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Um laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) de Brasília divulgado ontem aponta que o general Urano Teixeira da Matta Bacellar, encontrado morto no último sábado no quarto do hotel onde morava, em Porto Príncipe (Capital do Haiti), se suicidou. O IML deve ainda concluir o laudo que poderia indicar se o general ingeriu alguma substância química. Até agora, a perícia comprovou o tiro e não constatou nenhuma lesão de defesa, o que poderia indicar um homicídio.

O corpo do militar chegou anteontem à Base Aérea de Brasília e foi levado ao IML, onde foi embalsamado. Na manhã de ontem, seguiu para o Rio de Janeiro, onde foi enterrado no cemitério Memorial do Carmo.

O vice-presidente da República, José Alencar, anunciou ontem o segundo nome que será apresentado à Organização das Nações Unidas (ONU) para assumir o comando da missão de paz no Haiti. O general Jeannot Jansen da Silva Filho, vice-chefe do Departamento de Logística do Exército em Brasília, vai concorrer ao posto junto com o general José Elito Carvalho Siqueira, indicado anteontem.

A ONU definirá entre os dois para substituir o general Urano Teixeira da Matta Bacellar. “Os dois nomes serão apresentados hoje à ONU. Os dois contam com o apoio do governo. Sabemos que qualquer um deles está em condições de realizar o trabalho”, afirmou Alencar. Segundo o vice-presidente, o governo brasileiro não tem preferência e vai caber à ONU a escolha. “O comando não é só do contingente brasileiro, é de todos os contigentes dos países que estão lá (Haiti). os dois nomes serão submetidos à ONU e ela que decide.”

Segundo Alencar, as forças brasileiras deverão ficar no Haiti até março. “As eleições no Haiti ocorrerão em fevereiro e deve haver segundo turno. É natural que as forças de paz fiquem mais tempo no país para que haja segurança e a manutenção da paz e da ordem.” O vice-presidente confirmou que há atrasos no repasse de recursos da ONU para as forças que estão no Haiti e afirmou que este não é o momento de pressionar ou questionar a ONU ou o papel da missão brasileira.

José Alencar participou nesta manhã da cerimônia de honras fúnebres em homenagem ao militar na Base Aérea de Brasília. O corpo do general já seguiu para o Rio de Janeiro, onde será enterrado ainda ontem. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Marisa Letícia, participaram da cerimônia, além dos três comandantes militares, os ministros da Segurança Institucional, Jorge Félix, e das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o embaixador do Haiti no Brasil, Antônio Fénelon.

Em nome do presidente Lula e do ministro da Defesa, o comandante do Exército, general Francisco Roberto de Albuquerque, elogiou Bacellar ao afirmar que ele era “um soldado por vocação, profissional capaz, que deixa em todos nós a dor pela perda precoce, irreparável e difícil de ser aceita”.

Albuquerque disse ainda que com a morte de Bacellar não só sua família perdeu mas o Exército e, principalmente, o Brasil. Segundo ele, esta perda vai estimular o trabalho do Exército no que se refere à sua atuação nas forças de paz. “A missão será cumprida. Nós não abateremos.”

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que participou da cerimônia, também lamentou a morte de Bacellar e afirmou que esteve no Haiti em setembro com o general, que, segundo ele, fazia “um trabalho exemplar”. Buarque disse ainda que não sentiu por parte do general qualquer tipo de arrependimento por ter assumido o comando das tropas no Haiti.