São Paulo - Concorrente direto na disputa interna do PSDB pela vaga de candidato à Presidência, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou ontem que não se sente pressionado pelas declarações do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), que anunciou que deixará o cargo até abril para disputar a eleição presidencial. “Não me sinto nem me sentirei pressionado”, disse Serra.
Na primeira vez em que comentou o assunto, Serra evitou polemizar com Alckmin, ressaltando que não considerava precipitada a atitude do governador. “Não vejo como pressão o que o Alckmin falou. É um direito dele”, disse, afirmando aos jornalistas que não pretendia se aprofundar no tema. “Eu não vou falar muito disso, só queria dizer o seguinte: do meu ângulo não há nada para eu me manifestar neste momento. Se eu tiver alguma coisa para dizer, eu chamo a imprensa e digo”, afirmou Serra, após vistoriar a primeira etapa da reforma do hospital municipal do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo.
Indiretas a Lula
Apesar de não ter assumido publicamente o desejo de concorrer à Presidência, Serra tem aproveitado seus discursos em inaugurações para criticar ações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao discursar em um palco improvisado, Serra abordou ontem a operação emergencial de tapa-buracos lançada pelo presidente para dizer que sua administração está asfaltando ruas em São Paulo desde o primeiro ano de governo.
“Alguém fez um paralelo (do asfaltamento de São Paulo) com a operação tapa-buraco do governo federal. Não tem nada a ver, até porque nós começamos a tapar buraco desde o primeiro dia, não esperamos chegar no quarto ano de governo para tapar buraco.” Ao destacar na semana passada as suas realizações durante o primeiro ano de mandato na favela de Heliópolis, a maior da cidade de São Paulo, com cerca de 120 mil habitantes, o prefeito criticou a declaração feita por Lula de que “um período de quatro anos para quem governa é muito pouco, mas para quem está na oposição é uma eternidade”.
Serra declarou que sua “experiência após um ano na prefeitura demonstra que quatro anos não era pouco tempo para um mandato”. “Outro dia eu estava raciocinando porque disseram (não mencionou o nome de Lula) que no Brasil quatro anos é pouco e tem de ter reeleição. Eu quero dizer que a minha experiência na prefeitura mostra que quatro anos não é pouco para efeito de mandato.
Quando a gente começa a trabalhar desde o primeiro dia sabendo o que deve ser feito, a realidade vira outra, e o tempo passa depressa, mas ele conta”, disse Serra, que foi aplaudido por secretários e assessores tucanos.