Jerusalém - Os médicos reduziram ao mínimo o nível de sedativos aplicados no primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, mas a estimativa é que ele ainda leve entre poucas horas e alguns dias para sair completamente do estado de coma. O estado de saúde do premiê voltou a registrar sinais de melhora ontem.
Pela primeira vez desde o derrame que deixou Sharon entre a vida e a morte, no dia 4, o hospital Hadassa não divulgou um boletim médico sobre seu estado de saúde. O hospital limitou-se a informar que reduzira ao nível mínimo a dose de sedativos usada para colocar Sharon em coma induzido e que suas reações a estímulos continuam indicando atividade cerebral.
Apesar de um anestesiologista ter afastado o perigo imediato em relação à vida de Sharon, anteontem um outro médico do hospital Hadassa disse que ainda é cedo para ficar otimista. Na manhã de ontem, Sharon mostrou reação mais intensa aos estímulos feitos em seus membros, com exceção da perna esquerda, segundo o jornal “Yediot Ahronot”.
O chefe do departamento de neurocirurgia do hospital, Félix Umansky, disse que o premiê não reage a palavras e que não é possível ainda determinar os danos causados ao hemisfério direito de seu cérebro. “Ainda estamos muito distantes de saber o nível dos danos”, disse o médico argentino, acrescentando que tal avaliação pode levar “semanas e até meses.”
O diretor do hospital, Shlomo Mor Yossef, repetiu em entrevista à emissora de TV norte-americana ABC que o quadro continua imprevisível: “O primeiro-ministro pode morrer nesta noite. O primeiro-ministro pode voltar a uma vida relativamente normal em seis meses. Não podemos prever o que acontecerá amanhã”.
Nos últimos dias, Sharon reagiu a estímulos a dor feitos pelos médicos, respirando de forma espontânea e movendo os dois lados do corpo. Seus filhos, Guilad e Omri, estão tocando suas músicas favoritas, falando com o pai e até levando comidas apreciadas pelo premiê para estimular reações. Umansky confirmou que houve um aumento da pressão sanguínea de Sharon quando Guilad falou com o pai. Segundo a imprensa israelense, serão levadas ao quarto do premiê gravações de áudio da Guerra do Yom Kippur (1973), na qual Sharon teve atuação marcante como general.