O Interior paulista teve 16 regiões, ao lado da Capital, entre as 50 que criaram 60% dos empregos na indústria entre 2000 e 2004 revela nova pesquisa divulgada ontem.. Os dados ilustram a tendência de interiorização da criação de empregos industriais, observada em levantamento feito pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
A lista nacional foi encabeçada por Porto Alegre, seguida de São Paulo e Campinas. Outras microrregiões paulistas nesse ranking de criação de empregos, coordenado pelo professor João Luiz Saboia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foram, pela ordem: São José dos Campos (9.º lugar), Franca (12.º), Guarulhos (15.º), Osasco (16.º) e Sorocaba (17.º).
Nesses quatro anos, de 2000 a 2004, Bauru não teve uma performance das mais positivas. Foram criadas 2.290 vagas, o que colocou a cidade na 30.a posição entre as 50 cidades do Interior do Estado na geração de empregos.
Entretanto, já em 2005, o quadro se reverteu e a cidade melhorou sua performance significativamente, como mostrou a reportagem publicada pelo JC no último dia 27. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostram que, de janeiro a novembro do ano passado, foram criados 5.050 empregos com carteira assinada em Bauru. O desempenho colocou a cidade na 19.ª colocação entre as 50 que mais abriram postos de trabalho no Estado de São Paulo neste período.
Significativa
De acordo com o estudo Geração do Emprego Industrial nas Capitais e no Interior, baseado em dados do Ministério do Trabalho, o Estado de São Paulo respondeu pela criação de 26,5% dos empregos na indústria, com mais 280 mil vagas. Essa participação, segundo Saboia, já foi maior, mas é ainda altamente significativa.
A participação do Interior na geração de empregos saltou de 56%, em 1999, para 76%, em 2004. Esse foi o principal fenômeno detectado pela pesquisa, ao lado da diversificação das microrregiões. “Algumas das regiões são bastante industrializadas e diversificadas”, aponta o pesquisador. “Outras são bastante voltadas para algum setor, como os pólos calçadistas de Franca, Birigüi, Divinópolis (MG)”.
Saboia diz que o Estado de São Paulo está diversificando para o Interior. Vários seriam os motivos dessa tendência. Primeiro é a própria tendência demográfica de interiorização, apontada pelo IBGE. Outra causa são os menores salários pagos na indústria fora das capitais. Em terceiro entra a logística, como a proximidade de portos e boa malha rodoviária. O quarto motivo é o efeito Mercosul: empresas que querem exportar, por exemplo, para a Argentina, têm o interesse de ficar no Sul e Sudeste.
O estudo considera Interior qualquer microrregião que não seja a Capital. Assim, Osasco, Guarulhos, Mogi das Cruzes e Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo, aparecem entre as 16 microrregiões do Interior paulista que mais geraram empregos. As cidades do ABC ficaram fora da lista.
Jovens
Outras tendências observadas na pesquisa foram: o aumento da oferta de vagas para quem tem até 29 anos; redução de vagas para maiores de 30 anos; diminuição entre 10% e 20% dos salários dos admitidos em relação aos demitidos; e proporção de uma mulher para cada dois homens nos empregos gerados pela indústria. Em 2004, com aquecimento pontual da construção civil, esta proporção chegou a ser de uma mulher a cada três homens.
Os setores de serviços e comércio produziram mais vagas de trabalho que o industrial no período analisado. A indústria de transformação foi a responsável pela oferta no setor industrial, com a tendência de retraimento, por exemplo, da construção civil. Um quarto dessas vagas na indústria de transformação ocorreu no setor de alimentos e bebidas. Outros destaques foram as indústrias têxtil, de vestuário, calçados, metalúrgica, química e produtos farmacêuticos.