09 de julho de 2026
Nacional

Capital tem 5 PMs mortos em três dias

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Um policial militar (PM) foi morto a tiros na manhã de ontem na região do viaduto Curuçá, sobre a rodovia Dutra, na Vila Maria (zona norte de São Paulo). Ele é o quinto policial morto na cidade em três dias. Duas bases da corporação foram alvo de disparos, neste período. Não há informações precisas sobre as circunstâncias do ataque.

De acordo com dados preliminares da Polícia Rodoviária Federal, o PM foi morto a tiros quando trafegava em um carro da corporação sobre o viaduto. Depois, sob o viaduto, outro PM foi baleado. Ele está internado em um hospital da região. O viaduto foi totalmente interditado pela PM. Devido à interdição, há lentidão do km 227 ao km 230 da pista marginal da Dutra, no sentido São Paulo. Outros ataques Por volta da 0h de ontem, a base da 6.ª cia do 16.º Batalhão da PM, na rua Guilherme Dummond Vilares, no Portal do Morumbi (zona oeste de São Paulo), foi atacada a tiros por dois homens que estavam em uma moto.

Um PM que estava na base foi atingido por estilhaços de vidro. Na madrugada anterior, outra base da PM, na avenida Braz Leme (zona norte de São Paulo), já havia sido atacada a tiros por ocupantes de dois carros - um Palio e um Stilo -, por volta das 4h15 de quarta-feira. Havia dois PMs na base, mas eles não ficaram feridos. Bernardes Há suspeitas de que a série de ataques esteja ligada ao resgate frustrado promovido na última segunda-feira, na penitenciária de Presidente Bernardes (589 km de São Paulo).

O alvo seria Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos maiores líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Marcola é um dos 22 presos que foram retirados de sete celas do setor disciplinar da unidade no dia seguinte à ação, segundo fontes da Polícia Militar e do sistema carcerário ouvidas pela reportagem. Grades das celas em que eles estavam foram achadas serradas, na noite do resgate. Quatro pessoas suspeitas de integrarem a quadrilha que promoveu a ação foram presas.

Mortes

O policial civil Juarez Marques dos Santos, 40 anos, foi o primeiro a ser morto, na manhã de terça-feira, na Vila Nova Conceição (zona sul de São Paulo), um dos bairros mais nobres da cidade. Ele reagiu a uma tentativa de seqüestro relâmpago e trocou tiros com os criminosos, segundo a Polícia Civil. Santos e um amigo estavam em um carro quando foram rendidos pelo homem que anunciou o seqüestro relâmpago. Ele forçou sua entrada no carro e os três rodaram por algumas quadras do bairro, até que Santos reagisse e trocasse tiros com Celso Ricardo da Silva, 30 anos. Os dois foram baleados e socorridos, mas não resistiram aos ferimentos e morreram. Silva foi levado ao hospital por um suposto comparsa.

Desaparecidos

O segundo crime ocorreu no início da madrugada de quarta. O cabo da PM Antônio Aparecido Decreci, 44 anos, e uma amiga dele, Jamile Nascimento Veloso, foram abordados por dois homens quando chegavam a um posto de gasolina no carro do PM, um Gol. Testemunhas estranharam o fato e acionaram a PM.

Eles foram encontrados pouco depois, baleados ao lado do carro do PM, na rua Jacira Rocha (zona norte de São Paulo). Eles foram socorridos, mas morreram. O PM estava lotado na 2.ª Companhia do 18.º Batalhão e atuava havia mais de 15 anos. Naquele mesmo dia, por volta das 15h, o policial civil Hélio Ramos da Silva, 49 anos, foi morto em uma tentativa de assalto na rua Francisco Tapajós, na Vila Santo Estéfano (zona sul de São Paulo).

Silva havia acabado de sacar dinheiro de um caixa eletrônico quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta, que o arrancaram do veículo. O policial ainda tentou lutar com os criminosos, mas foi morto após ter sua arma tomada. Os dois homens fugiram sem levar o dinheiro. Silva - que atuava na polícia há 12 anos, trabalhava no 75.º DP e tinha dois filhos - morreu a caminho do hospital. Uma câmera localizada em um edifício da região flagrou o assassinato.

O quatro policial a ser morto foi o soldado da PM Aparecido Jesus Fernandes, do 13.º Batalhão. Ele foi morto fardado. Fernandes caminhava em direção ao seu carro, na rua Hannemann (zona norte de São Paulo), quando foi atacado por dois homens em uma moto. Eles atiraram e fugiram em direção à avenida Cruzeiro do Sul. A suspeita era que o crime estivesse ligado a uma discussão em que o PM havia se envolvido, dias antes.