A Praça Machado de Mello ganhou, nesta semana, nova “trilha sonora”. O ruído convencional dos pontos comerciais cedeu espaço ao ronco de caminhões. Desde quarta-feira, máquinas trabalham num terreno de quase mil metros quadrados para retirar os escombros de bares, desativados há mais de dez anos.
A área total, cuja extensão vai da praça à avenida Rodrigues Alves, deve acolher um estacionamento. No entanto, o futuro comercial de todo o quarteirão depende do sucesso da Prefeitura de Bauru em adquirir o prédio da Rede Ferroviária Federal para instalar a Secretaria Municipal da Educação.
A possibilidade do órgão público ser transferido para lá divide a opinião de quem freqüenta o local e tem imóvel ou comércio na região. Apesar da esperança, a maioria é pessimista quanto à mudança. Consensual, apenas a opinião de que a medida valorizaria o ponto. “O sonho da minha vida é ver isso aqui transformado. Mas eu quero estar aqui para ver”, diz o autônomo Carlos Aberto Vianna Rossetto.
Há 25 anos com comércio de portas abertas para a avenida Rodrigues Alves, ele resiste em ficar no imóvel, que também deverá ser demolido e, quem sabe, reconstruído para ser posteriormente locado. A permanência de Rossetto no ponto dependerá de negociação com a família de José Carlos Aiello, proprietária de metade da área. A outra parte pertence a Emílio Viegas. Ambos acompanham a demolição dos bares.
“Pessoas entravam no prédio para usar tóxico. Eu estou fazendo a minha parte (com a obra). Se tirar esse problema daqui (incluindo prostituição), valoriza. Tem muita gente boa por aqui. É duro (o processo de demolição) porque era do meu bisavô. Tudo começou aqui”, conta Aiello. De acordo com ele, na gestão de Izzo Filho, a área chegou a ser desapropriada para a instalação do camelódromo, que não saiu do papel.
Revitalização
Como o projeto não vingou, voltou às mãos dos antigos proprietários. Somente agora o trecho começou a esboçar tentativa de revitalização. O processo será apressado dependendo da transferência da Secretaria da Educação.
Neste caso, herdeiros do condomínio Milanês seriam incentivados a repensar a vocação dos imóveis de propriedade deles, que ocupam aproximadamente mil metros quadrados, na outra parte da quadra (à esquerda da área em obras - para quem está em frente ao terreno na Praça Machado de Mello).
Informações extra-oficiais dão conta de que, do total de prédios disponíveis no local de responsabilidade do condomínio, quatro estão alugados, dois disponíveis para locação (com frente para a rua Monsenhor Claro) e outros dois continuarão desocupados (com entrada pela praça). Um outro pode ser locado, desde que seja reformado pelo interessado. Ele é vizinho de um hotel desativado há cerca de um ano, que também deve continuar fechado, de propriedade de Gino Bobra.
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Hotéis tombados
As obras de demolição são vizinhas dos únicos três hotéis de Bauru tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac). O antigo Terra Branca, o Estoril e o Cariani ainda são símbolos do período áureo da ferrovia na cidade, reitera Nilson Ghirardelo, vice-presidente do órgão.
Na opinião dele, o ideal seria que o conjunto de imóveis do quadrilátero fosse todo preservado. Mas como os bares descaracterizaram o trecho, Ghirardelo não vê problema em novos investimentos na área, desde que não contemplem imóveis altos, com vários andares. Neste caso, o prédio da estação ferroviária, continuaria preponderando.