08 de julho de 2026
Nacional

João Herrmann é suspenso do PDT

Por Rubens Valente, Fernanda Krakovics e Adriano Ceolin | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A direção nacional do PDT decidiu ontem suspender a participação do deputado federal João Herrmann (SP) nas atividades partidárias até o final das investigações sobre os depósitos na conta bancária do parlamentar feitos pela empresa de transporte aéreo Beta e detectados pela CPI dos Correios. “A denúncia é muito forte, cheques, contas, tudo apurado pela CPI. Temos que preservar a imagem do partido”, disse o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi (RJ).

Na prática, significa que Herrmann não poderá participar de reuniões de bancada e outras decisões partidárias. Se perder a legenda definitivamente, Herrmann não tem mais como se filiar a outro partido a tempo de disputar as próximas eleições. Esse prazo expirou em outubro.

Lupi contou ter tentado falar por telefone inúmeras vezes com Herrmann desde a última quarta-feira para obter um esclarecimento sobre os depósitos. Mas não teve sucesso. Em nota, o ex-dono da Beta Antônio Augusto Morato Leite Filho negou ter dito, em sessão fechada na CPI, em setembro último, que Herrmann recebia recursos da empresa - o que acabou confirmado pela quebra do sigilo bancário da empresa.

O empresário afirmou ter citado o deputado como um defensor de interesses da empresa. “A respeito da Beta, limitou-se a informar à CPMI de que Herrmann esteve empenhado, ao lado da Beta, de dezenas de outros importantes políticos e de várias grandes empresas nacionais, nos esforços para viabilizar o projeto de pavimentação da BR-163 (Cuiabá-Santarém)”, diz a nota.

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), marcou para segunda-feira reunião com o corregedor-geral da Casa, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), para analisar as denúncias contra o deputado. Aldo contou ainda que, também na segunda-feira, ele deverá se encontrar com Herrmann. “Ele solicitou uma audiência para oferecer as explicações sobre o episódio”, afirmou.

O relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse ontem que os R$ 79 mil recebidos pelo deputado podem ser pagamento em troca de vantagens na estatal. “Pode ser uma fonte de alimentação de cooptados, tendo em vista que as linhas aéreas apresentaram superfaturamento e os dados já enviados pelos bancos não correspondem nem a 60% do total”, disse Serraglio.

O relator pretende ir ao Banco Central na próxima semana para reclamar que os bancos Real, BankBoston e Safra não estariam colaborando com a CPI. O sub-relator de contratos, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que investiga esse caso, estava no Interior de São Paulo ontem incomunicável.

Nota divulgada pela assessoria de imprensa do petista afirma que ele analisará os novos documentos recebidos pela CPI para o prosseguimento das investigações. Relatório preliminar da CPI apontou um superfaturamento de R$ 64 milhões nos contratos da Skymaster e da Beta, que teriam um “conluio” nos Correios. As empresas negam.

Herrmann trocou o PPS pelo PDT em 2004. Até janeiro daquele ano, o Ministério das Comunicações e os Correios eram controlados pelo PDT. O deputado apresentou seis emendas, em 2001, ao projeto de lei que criou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).