09 de julho de 2026
Regional

Bicicleta adaptada para deficiente foi criada por oficina

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Bicicletas dos mais variados tipos e modelos circulam pela área urbana de Reginópolis, mas uma construída para atender as necessidades de um deficiente físico chama a atenção. Ela tem três rodas é movida com o braço esquerdo e possui acessórios que lhe dão um ar de diferente.

José Caetano Bueno perdeu as duas pernas e não tinha como se locomover pela cidade, há 20 anos. Não teve dúvidas e procurou a oficina de bicicletas de Valdenei Ferreira, mais conhecido na cidade por ‘Lei’. Ele convenceu o dono da oficina a construir uma ‘bike’ que atendesse sua principal necessidade, locomoção.

Foi atendido e hoje, Bueno, que colocou uma perna mecânica, circula pela cidade toda, bate longos papos com amigos graças a seu veículo. Ele se sente orgulhoso em mostrar a bicicleta. “Eu coloquei farol para poder andar a noite. Ele é sustentado a pilha. Tem buzina, campainha e alarme.”

De ambos os lados há espelhos retrovisores, um velocímetro garante que ele não ultrapasse a velocidade permitida e uma imagem de elefante grudada na frente da ‘bike’ é certeza da sorte.

Mecânico há 35 anos

Valdinei Ferreira, o Lei, é o mais antigo mecânico de bicicleta da cidade. Nasceu em Reginópolis e ainda jovem montou a oficina que hoje é referência. Serviço não falta para ele, que conserta uma média de 40 ‘bikes’ por semana.

O excesso de serviço leva a pensar que o mecânico está como ‘tio Patinhas’. Mas isso não é verdade. Os consertos de bicicletas são baratos, giram em torno de R$ 10,00, o que garante uma renda mensal de R$ 1 mil para ele.

“Vivo disso, mas não consigo faturar muito mais. O conserto dos raios das rodas é o problema mais comum e custa de R$ 5,00 a R$ 10,00”. Pelos cálculos do mecânico, na cidade há pelo menos duas mil bicicletas. “Todo mundo usa, criança, jovens, adultos e idosos.”

Na opinião dele, o uso de ‘bikes’ na cidade é comum, mas aumentou bastante nos últimos 10 anos. “O preço dos combustíveis e a facilidade em praticar uma atividade física são itens que contam na adesão ao veículo de transporte.”

Veículo nacional é o preferido

O comerciante Pedro Cinel, que possui uma loja na cidade, não reclama da adesão dos moradores a maneira de se locomover. Ele comercializa bicicleta e se não fosse a alta de preços, poderia vender mais de oito por mês. “Vendo em média oito ‘bikes’/mês. Há um ano o preço girava em torno de R$ 160,00. Hoje, foi para R$ 280,00, uma bicicleta nacional com 18 marchas.”

A bicicleta nacional supera em qualidade as importadas. “Só comercializo bikes nacionais, que têm resistência. As nacionais de qualquer tamanho superam as importadas. Em dezembro, vendi 20 delas.”

Cinel acredita que o uso de bicicleta na área urbana de Reginópolis só é superado pela cidade de Três Lagoas. “Lá todo mundo usa bicicletas. Tem ciclovias para o trânsito não ser tumultuado. Aqui não precisa porque bicicletas e carros caminham bem juntos.”