08 de julho de 2026
Internacional

Sem modelo econômico

Folhapress
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Santiago do Chile - Seja qual for o resultado das eleições presidenciais de hoje no Chile, uma certeza têm os analistas: não estão absolutamente em questão mudanças no modelo econômico liberal que se consolidou no país e que está em aplicação há cerca de 30 anos.

Esse modelo levou o Chile a taxas de crescimento médio de 6% ao ano desde 1985 e a uma posição de liderança no manejo de variáveis macroeconômicas no ranking do Fórum Econômico Mundial. Com base no crescimento econômico, a pobreza se reduziu de 45,1% em 1987 para 18,8% atualmente.

O chamado “milagre” chileno deixou, porém, como marca, uma das piores distribuições de renda da região. Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), os mais ricos no Chile possuem renda 40,6 vezes maior que os 10% mais pobres.

Sem um questionamento ao modelo, as posições dos candidatos Sebastián Piñera (direita) e Michelle Bachelet (centro-esquerda) sobre a condução da economia são praticamente idênticas. Segundo o analista Claudio Fuentes, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), os dois diferem, no entanto, em pontos importantes, como sobre a maneira de melhorar a distribuição de renda.

Piñera, por exemplo, preconiza a manutenção do crescimento econômico como mecanismo distributivo. Já Bachelet, defende a adoção de políticas públicas destinadas a garantir igualdade de oportunidades.

E ainda que Bachelet perca a votação, ela já terá se convertido no maior fenômeno dessas eleições, não simplesmente pela sua rápida ascensão política, mas sobretudo pelo que sua figura representa dentro da tradicionalmente conservadora sociedade chilena. Para muitos analistas, a projeção de Bachelet se insere naquilo que os próprios chilenos denominaram de “destape”: um processo de liberação de uma sociedade conservadora.