07 de julho de 2026
Internacional

Iraniano defende programa nuclear

Da Redação*
| Tempo de leitura: 3 min

Teerã - Numa rara entrevista coletiva em Teerã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad reiterou que os iranianos têm o direito de dar continuidade a seu programa nuclear, mas salientou que o “Irã não precisa de armas nucleares”.

O presidente iraniano afirmou ainda que só precisam ter armas nucleares “pessoas ou países que querem resolver todos os problemas por meio do uso da força”. Ahmadinejad aproveitou sua segunda entrevista coletiva para defender a recente decisão iraniana de dar novo alento a suas pesquisas nucleares, removendo os lacres postos pela ONU em suas instalações de enriquecimento de urânio em Natanz.

A medida provocou imediatas reações de desaprovação dos EUA, da União Européia, da Rússia, aliada tradicional do Irã, e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a agência da ONU que monitora os perigos da proliferação nuclear. O laboratório fora selado havia 14 meses graças a um compromisso pelo qual o país islâmico interromperia a pesquisa para a produção do combustível nuclear.

Washington afirma que as pesquisas se enquadram num programa mais amplo e com fins militares. Teerã afirma buscar apenas produzir energia e que seu programa tem fins pacíficos.

Os EUA, o Reino Unido, a França e a Alemanha ameaçam passar o caso para o Conselho de Segurança da ONU.Este poderia impor sanções econômicas ao país islâmico, mas, para analistas, elas poderiam não surtir o efeito esperado pelas potências ocidentais.

Ahmadinejad disse que, se o programa nuclear iraniano for levado ao Conselho de Segurança, Teerã poderá impedir a realização de novas inspeções da ONU e que nada impedirá a “continuidade dos planos nucleares” do país. “Se querem destruir os direitos da nação iraniana por meio dessa medida, eles (as potências ocidentais) não terão sucesso”, disse Ahmadinejad na coletiva de ontem.

Embora os repórteres presentes à coletiva tenham insistido em perguntar se a retomada dos trabalhos em Natanz envolverá o enriquecimento de urânio, conforme afirma a AIEA, Ahmadinejad se recusou a revelar o conteúdo do que será feito nas instalações recém-reabertas.

Os EUA, a França, o Reino Unido e a Alemanha afirmam que Teerã não vem cumprindo o que promete em negociações. Mas, ontem, durante visita da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, a Washington, Bush afirmou que a alternativa diplomática deverá ser privilegiada a curto prazo.

Os jornalistas também perguntaram sobre a possibilidade de o Irã usar o petróleo como arma para retaliar caso seu programa nuclear venha a ser alvo de sanções econômicas da ONU. O Irã tem a segunda maior reserva de petróleo do planeta. "Temos as ferramentas necessárias para nos defender. Aqueles que usam uma linguagem dura contra o Irã precisam de nós muito mais do que nós precisamos deles”, disse o presidente do Irã.

As potências ocidentais têm evitado dizer que pedirão ao Conselho de Segurança que imponha sanções. Nada garante que elas consigam obter a anuência da China e a da Rússia, que têm poder de veto, à ação, e ninguém quer correr o risco de que o Irã interrompa ou diminua suas exportações de petróleo num momento de alta demanda e de preços bastante elevados.

*Com Folhapress