08 de julho de 2026
Saúde

Obesidade pode causar problemas no fígado

Folhapress*
| Tempo de leitura: 3 min

Definida pelos especialistas como “uma doença do mundo moderno”, a esteato-hepatite ou doença gordurosa do fígado não-alcoólica é hoje uma das principais preocupações dos endocrinologistas e hepatologistas. O motivo é simples: sem perceber, pessoas obesas que não têm histórico de abuso de álcool estão desenvolvendo a chamada doença gordurosa do fígado. Sem tratamento e controle, a doença corre o risco de evoluir para fibrose (espécie de cicatrização) e até mesmo cirrose (inflamação crônica) do fígado. Nesses casos, pode haver uma insuficiência hepática e o paciente precisará fazer transplante.

De acordo com o hepatologista Mário Guimarães Pessoa, presidente da Associação Paulista para o Estudo do Fígado, a esteato-hepatite não-alcoólica é um processo inflamatório crônico do fígado, provocado pelo excesso de gordura acumulada. “O fígado é um órgão de estoque de gordura, principalmente triglicérides. Quando há gordura em excesso, isso causa um transtorno molecular e conseqüentemente a destruição das células hepáticas”, explicou Pessoa.

Como em toda doença hepática, o fígado é um órgão que não apresenta sintomas e, por isso, a doença evolui de forma assintomática. Geralmente, as pessoas só descobrem o problema durante a realização de exames clínicos de rotina que apontam alterações nas enzimas do fígado. “Quando as enzimas aumentam significa que o fígado está com um processo inflamatório”, disse Pessoa.

O problema ganhou uma proporção tão grande, que a Sociedade Brasileira de Hepatologia designou um grupo para estudar os aspectos clínicos e epidemiológicos da doença em todo o Brasil. O grupo será coordenado pela hepatologista Helma Cotrim, professora da Universidade Federal da Bahia. “Essa é uma doença de caráter benigno se evitarmos a sua evolução. Se não for diagnosticada, pode provocar cirrose. Além disso, essa é uma das doenças de fígado mais freqüentes do mundo ocidental por causa do aumento do número de pessoas obesas e diabéticas.”

A endocrinologista Marisa Helena César Coral, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, destaca que essa é mais uma complicação séria da obesidade. “A nossa maior preocupação é com a prevenção. É necessário mudar o estilo de vida.” Não há tratamento específico para a doença. A única alternativa é perder peso e manter uma dieta associada à prática de exercícios físicos, além do controle rígido sobre os níveis de colesterol, triglicérides e insulina no sangue.

Perguntas e respostas

1. Quais são os sintomas da doença?

Assim como outras doenças do fígado, a doença gordurosa é silenciosa e o paciente não apresenta nenhum sintoma. Geralmente, a doença é descoberta quando o paciente realiza exames de rotina (de sangue, por exemplo) e encontram as funções hepáticas alteradas.

2. Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico só é confirmado após a exclusão de outras causas determinantes, por isso é necessário a realização de vários exames laboratoriais. A confirmação da doença só acontece depois da realização de uma biópsia do fígado que informará, inclusive, o estágio da doença.

3. Como é feito o tratamento?

Até o momento não existem medicamentos capazes de curar a doença gordurosa do fígado. A melhora do quadro, para reduzir o tamanho do fígado e normalizar as taxas das enzimas, é feita por meio do controle da obesidade mediante a redução do peso, o controle do diabetes e o controle das taxas de gordura no sangue.

*Fernanda Bassette