08 de julho de 2026
Geral

República volta a ser preferência

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 5 min

Baratear os custos. Esse é o lema dos universitários que saem de suas cidades para estudar e morar em Bauru. O jeito mais fácil que encontram para driblar as dificuldades financeiras é a divisão das despesas com quem está na mesma situação.

Ao contrário dos anos anteriores, em 2006 os estudantes estão abrindo mão dos apartamentos e quitinetes. A preferência geral é por casas, as quais são transformadas nas famosas repúblicas. A alternativa é uma forma de reduzir o déficit financeiro do bolso dos pais ou até mesmo dos próprios universitários, gerados pelo aluguel do imóvel e pelos impostos de energia elétrica, água e telefonia.

A nova tendência é confirmada pelas imobiliárias, que garantem que as locações de casas correspondem a praticamente 50% dos negócios fechados para a clientela universitária.

Proprietário de uma corretora de imóveis, Ércio dos Santos diz que a visita de estudantes em sua empresa cresceu 40% entre dezembro de 2005 e a primeira quinzena de janeiro de 2006 em relação ao mesmo período anterior. A maioria, garante ele, quer casa para morar com até oito pessoas.

“É um público que está mudando suas preferências, acredito eu, em razão da necessidade de economizar. Opta sempre por residência simples, com três quartos. Pede aluguel na faixa de R$ 500,00 e R$ 1.000,00 para ser dividido entre sete ou mais moradores. Metade dos negócios que fecho para estudantes é locação de casas”, diz Santos.

O empresário conta que o interesse por apartamentos ainda é grande, porém pelos “bixos”, aqueles que vão começar a cursar o primeiro ano de faculdade. A preferência maior, informa ele, é por quitinetes de até R$ 350,00 de aluguel e localizadas nas proximidades da avenida Nações Unidas, a qual é caminho para as principais universidades de Bauru.

O gerente de imobiliária, Brunno Guedes, também afirma que a procura por casas a fim de torná-las repúblicas estudantis está crescendo, principalmente entre as mulheres. “Antigamente eram mais os rapazes que tinham essa preferência. Hoje, as mulheres estão procurando bastante, especialmente para morar em quatro ou mais”, destaca.

Guedes, que diz fechar em torno de 160 locações por ano para estudantes, entre residências e apartamentos, espera que o pico de procura por imóveis ocorra em fevereiro, período de matrículas das universidades.

Ainda segundo ele, sua clientela maior, no momento, são universitários veteranos, que já estudavam e moravam em Bauru no ano passado. “É um pessoal que quer mudar de imóvel e aproveita essa época para encontrar locais de qualidade e evitar a agitação de fevereiro, quando todo mundo procura um lugar para morar”, explica. O corretor também revela que vem da Universidade Estadual Paulista (Unesp) seu maior público de locatários.

O que tem agradado as imobiliárias, além da procura que cresce a cada dia, é o baixo índice de inadimplência dos universitários. Segundo informam, os estudantes são bons pagadores, inclusive, em muitos casos, fazem o pagamento antecipado.

“Não tenho nenhum estudante cliente que já atrasou ou esteja em atraso com o pagamento do aluguel. Não tenho e nunca tive dor de cabeça com esse tipo de problema”, confirma a corretora Rosana Pires. Ela também diz que, desde o início do ano, alugou cinco imóveis para universitários, os quais todos são residências.

O propósito dos locatários, segundo ela, é morar em sistema de república para minimizar, ao máximo, as despesas. O aumento da procura de estudantes na agência nas últimas semanas, levou Pires a instituir plantão de atendimento aos sábados e domingos.

O empresário do ramo imobiliário em Bauru, Luiz Ricardo Guimarães, está otimista com os universitários neste ano. Ele diz que espera triplicar o número de locações em relação a 2005. “Fazemos por dia, média de 20 atendimentos. Desses, fechamos cinco. A procura tem sido muito grande mesmo. A tendência é aumentar ainda mais, já que está chegando a época de matrículas”, comenta.

Guimarães, a exemplo dos outros corretores, ressalta que os estudantes têm procurado alugar casas para morar entre várias pessoas e, assim, reduzir gastos.

Menos regras

Fernanda Nascimento Corghi, 23 anos, recém-formada em arquitetura pela Unesp, confirma a nova tendência de morar em república. Para ela, a maior privacidade em morar numa residência também contribui no momento da escolha.

“Quanto mais gente, mais as despesas podem ser divididas, além do que, quando você mora em república, queira ou não, as regalias são maiores. A vida de apartamento é muito regrada, muito vigiada. Numa casa você tem mais liberdade. Todos nós morávamos em apartamento, cada um tinha o seu. O custo aumentou muito e resolvemos morar todos juntos”, completa.

Corghi afirma que, mesmo tendo concluído a faculdade, não vai voltar para sua casa, em São Bernardo do Campo, já que pretende trabalhar em Bauru.

Por mês, informa ela, cada morador desembolsa cerca de R$ 250,00 para quitar as despesas, como aluguel e tributos de água, força e telefonia. “Vale à pena, porque sai bem mais barato do que morar num apartamento, do qual teríamos que pagar aluguel, força e condomínio”.

A paulistana Tatiana de Oliveira Gerbelli, 24 anos, mora em república faz cinco anos, com mais três moças e um rapaz. Ela acredita que a moradia comunitária possibilita uma vida mais equilibrada aos universitários em termos financeiros. “Barateia muito o custo de vida. Com o dinheiro que sobra, é possível comprar mais coisas, isto é, comer e se vestir melhor”, observa.

Recém graduada em arquitetura pela Unesp, Gerbelli comenta que cada morador da república disponibiliza por mês, pouco mais de R$ 200,00 para cobrir todas as despesas. A residência, segundo ela, tem quatro dormitórios, dois banheiros, uma sala, uma cozinha e uma edícula.