09 de julho de 2026
Polícia

Blitz expõe racha na Polícia Civil

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Uma fiscalização e flagrantes a desmanches de veículos realizados pela Polícia Civil ontem, em Bauru, expôs uma divergência interna entre o comando do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4) e a Delegacia Seccional, subordinada ao Deinter. Embora as diferenças sejam veladas, sem reconhecimento oficial, o clima é pesado entre delegados.

Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da 3.ª Divisão de Investigações sobre Furto e Roubo de Veículos e Cargas (Divecar) vieram a Bauru ajudar na operação que resultou na apreensão de 13 veículos desmontados, um veículo para averiguação e três pessoas presas por receptação. Ao todo, foram fiscalizados seis pontos em bairros como o Jardim Tangarás, Jardim TV, Parque Paulista, Vila Falcão, Vila Santa Luzia e Vila Cardia.

No entanto, há controvérsias sobre quem pediu a operação - se o Deinter ou o Deic. O Deinter-4 informou que a operação foi determinada pelo Deic/Divecar. Mas o delegado da 3.ª Divecar, Giovani Moschini, que estava em Bauru ontem, disse que a solicitação partiu do Deinter. “Fomos solicitados a dar apoio”, afirmou. A blitz contou com apoio de dez policiais civis do Deinter-4, diretamente ligados à diretoria - os demais, inclusive de delegacias especializadas de Bauru, ficaram de fora.

Procurada pela reportagem, a assessoria do Deic informou apenas que a operação foi conjunta, mas não quis dizer quem a solicitou. Segundo o diretor do Deinter 4, Roberto de Melo Annibal, a polícia é una e o Deic tem autonomia em todo o Estado. Questionado sobre a não participação dos policiais civis das delegacias de Bauru na blitz aos desmanches, Annibal afirmou que se eles tivessem feito as fiscalizações teriam verificado que alguns dos seis estabelecimentos vistoriados estavam sem alvarás. “Alguns desde 2003, isso significa que não há fiscalização”, argumentou.

Deic

O delegado que comanda a Polícia Civil de Bauru e região frisou que, como diretor do Deinter-4, pode trazer policiais de onde quiser. “Eu não sou obrigado a passar informações para quem quer que seja, nem da operação do Deic acompanhada pelo Deinter-4 na minha cidade”, ressaltou. Annibal foi enfático em dizer que a competência da fiscalização de desmanches é da Delegacia Seccional. “Não é da Delegacia de Investigações Gerais, como estava ocorrendo em Bauru. Não se pode descumprir a lei”, ressaltou.

De acordo com ele, o Deic veio fazer a fiscalização na cidade porque vários veículos furtados e roubados são da Capital. “Eles fizeram escuta telefônica e vieram fiscalizar. Estavam certos porque alguns carros desmontados e encontrados aqui eram da Capital”, explicou. Annibal acredita que, para a população, tanto faz ser o Deic, o Deinter-4 ou os policiais de outra cidade. “O importante são as fiscalizações. Minha preocupação é que os desmanches não estão sendo fiscalizados, funcionam sem alvarás”, comentou. O delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, preferiu não se manifestar sobre o assunto.