09 de julho de 2026
Bairros

Partículas de algodão cobrem ruas e invadem casas na Independência

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Uma poeira fina formada por partículas de algodão suspensas no ar até depositarem-se sobre carros, chão e móveis incomodaram os moradores da Vila Independência anteontem. O resíduo saía da chaminé da Bunge Alimentos, que processa soja, trigo e algodão. Inconformado com a situação, Bráz Ferreira Ferro, que mora na região, acionou a Agência Bauru da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb). A empresa informou que houve um problema no sistema de filtro, que já foi sanado (leia mais abaixo).

Ferro reclama que a emissão de poluentes não tem sido resolvido apesar de reclamações anteriores. “O que nos atinge é a lã do caroço de algodão. Eles prometem que vão colocar o tal filtro e não colocam. Nós estamos consumindo esse material, através da respiração, há dois anos e não sabemos exatamente o quanto isso vem prejudicando a nossa saúde”, frisa.

Ele lembra que desde que mudou para o condomínio ao lado da fábrica vive com gripe. “Há crianças alérgicas que devem estar sofrendo com isso”, conclui. Roberto Carlos de Almeida, outro morador do condomínio, afirma que, além da poeira, há dias o bairro sofre com mau cheiro. “Quando chove, o pó do algodão apodrece e o cheiro é insuportável”, comenta.

As partículas de poeira, segundo os moradores, contêm óleo, o que queima a pintura dos veículos. “Todo dia antes de sair com o carro tenho que passar no posto para retirar as partículas com ar. Só a água não resolve porque a poluição é oleosa”, ressalta.

Compartilha da mesma opinião o morador Cristiano Francisco de Souza. “A fumaça contendo as partículas oleosas saem pelo chaminé da fábrica e nos atingem mais por causa da direção do vento. O pó amarelado só sai com água e detergente. Acredito que prejudique a gente e a pintura do carro”, diz.

Janelas fechadas

Para evitar a entrada da poeira, os moradores do condomínio ao lado da fábrica mantêm as janelas fechadas ou com cortina. Mesmo assim, é impossível manter a casa limpa, segundo Luciano Benechel. “Moro aqui há pouco mais de dois anos e percebo que os móveis não param limpos. Sempre apresentam a poeira amarelada depositada”, conta.

Segundo ele, o seu carro é lavado duas vezes por semana. “E nunca está limpo, basta ficar algumas horas parado aqui na garagem sem cobertura que já fica sujo de novo”, ressalta. Ele lembra que sua mulher tem bronquite e sofre com a poluição.

Na opinião da moradora Priscila Farias de Castro Lopes, o mau cheiro não incomoda tanto quanto a poluição de algodão. “O cheiro não é sempre, mas os resíduos de algodão caem todos os dias. É uma poeira que fica sobre os carros e móveis”, frisa.

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Risco de alergias

Para o pneumologista Arnaldo Sant’Anna, qualquer partícula em suspensão é irritante e prejudicial para as vias respiratórias, podendo desencadear diversos sintomas alérgicos, como tosses e espirros.

Sintomas mais graves, porém, podem ser sentidos por aqueles que já sofrem de problemas respiratórios, como crises de bronquite e asma.

Para evitar o agravamento das crises alérgicas, deve-se utilizar panos úmidos na limpeza doméstica. Espanadores, aspiradores de pó e vassouras espalham ainda mais as partículas de algodão.

Da Redação

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Problema sanado

A direção da Bunge Alimentos informou ao JC que na madrugada de sábado para domingo houve um problema mecânico no sistema de filtro no setor de processamento de algodão, o que causou a emissão de partículas de lã. “Tão logo o problema foi detectado, paramos a operação e consertamos”, afirma Herculano Domício Martins, assessor da diretoria da fábrica.

De acordo com ele, a emissão de partículas de algodão durou aproximadamente 40 minutos até ser percebida pelos operadores. “Fizemos a manutenção do equipamento ainda no domingo”, frisa.

Ieda Rodrigues