10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A polícia, a Promotoria, os pobres e os negros


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A Constituição Brasileira afirma que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Declara que ninguém será submetido a tratamento degradante e protege a honra e a imagem das pessoas. Também cita o princípio da imparcialidade.

No entanto, no nosso país e em Bauru não é diferente, pois a polícia age nos bairros periféricos de uma forma extremamente contrária ao que faz nos bairros da zona sul. O autoritarismo, o preconceito e a falta de conhecimento de alguns policiais (não podemos generalizar), que nada mais são do que funcionários públicos bancados pela sociedade, ultrapassam as raias do absurdo.

Nas batidas coletivas, a polícia alega que tem que revistar todo mundo porque não possui bola de cristal e que o bandido não traz o nome estampado na testa. Ora, num jogo de futebol, num show ou num evento público, tudo bem. Agora, num ponto de ônibus, numa lanchonete, num bar ou dentro do coletivo, os cidadãos também não possuem bola de cristal para saber que ali há algum criminoso. No entanto, sofrem o mesmo constrangimento das revistas como qualquer delinqüente comum.

Há anos atrás, tive a oportunidade de ver uma revista num ônibus da linha Parque Jaraguá, na época na rua Olavo Bilac, na Bela Vista. Todos os passageiros tiveram que encostar as mãos no muro do colégio José Aparecido Guedes de Azevedo. Vi evangélicos colocarem as Bíblias no chão da calçada para poderem esticar os braços.

A polícia tem que fazer o serviço dela e tirar de circulação os elementos que trazem riscos para a sociedade. Mas em alguns momentos tem que priorizar os seus serviços internos de inteligência e ir diretamente no foco das pessoas envolvidas no delito. Às vezes, agindo aleatoriamente, pode causar danos e constrangimentos para as imagens das pessoas.

Outra coisa, tem alguns policiais (felizmente não são todos e a maioria age dentro das normas) que acham que o fato do cidadão não estar bem trajado ou possuir pele escura já é motivo para considerá-lo suspeito. Os brancos pobres e os negros sofrem muito com esta arbitrariedade e a maioria, por ser desconhecedora dos seus direitos, não leva o caso para a frente e nem denuncia por medo de represálias. E elas existem, portanto, nestes casos é essencial acionar a Promotoria da Cidadania.

Os maiores criminosos e ladrões do Brasil, na maioria das vezes, andam engravatados e com carrões de luxo. E eu nunca vi polícia nenhuma revistá-los ou colocarem as mãos na parede. Exceto a Polícia Federal, que está mostrando para nós que a podridão da turma do andar de cima é dez vezes pior do que a do andar de baixo.

Pedro Valentim