10 de julho de 2026
Nacional

Presidente vistoria estradas mas não assume campanha

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Alhandra (a 35 km de João Pessoa, PB), que o governo não deve dar atenção às tentativas da oposição de “dificultar” as ações da administração federal. “Aqueles que estão na oposição tentam dificultar o governo, e o governo não tem que ficar dando atenção a isso”, declarou. “Não falo em golpe branco, porque isso não é novo”, disse. “Na história do Brasil vai ter sempre essa situação”, afirmou.

Lula, que esteve no município para visitar as obras de duplicação da BR-101 na Paraíba, feitas pelo Exército, criticou as empreiteiras durante a solenidade e rebateu as acusações de que estaria em campanha para a reeleição. “Ora, você passa três anos criando as condições, plantando, adubando, regando. Agora, que está na hora de você começar a colher, por que vai deixar os adversários colher por você?”, perguntou. “Nós vamos colher.”

O presidente acusou as empreiteiras de atrasar o início das obras na rodovia com uma disputa judicial. “Nós gostaríamos de ter começado esta obra em março passado, trabalhamos para que tudo fosse concretizado, mas tivemos problemas”, disse. “Primeiro, o Tribunal de Contas encontrou irregularidades (na licitação). Depois, fizemos as licitações, muitas empresas participaram e, quando abriram os envelopes para determinar quem seriam as ganhadoras, algumas, que não participaram ou que foram derrotadas, entraram com ação na Justiça, conseguiram liminar, e a obra não andou.”

Na Paraíba, o Batalhão de Engenharia de Construção do Exército do Piauí trabalha em 54,9 quilômetros da rodovia. A obra, orçada em R$ 178,76 milhões, deve terminar em dois anos e meio. “Nós estamos querendo que as empresas resolvam as suas pendências. Se não resolverem, vamos botar o restante (da BR-101) para o Exército fazer, até que elas compreenderem que o Brasil não pode esperar o tempo que eles acham que podem brigar na Justiça.”

Durante sua passagem de uma hora no Estado, caminhou no canteiro de obras cumprimentando e beijando as cerca de 500 pessoas que acompanharam a solenidade. Com faixas, bandeiras do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), os espectadores retribuíram com o refrão da reeleição: “Um, dois, três, Lula outra vez”. Ao falar de improviso no evento, o presidente retomou temas de campanhas passadas. Condenou de novo a miséria do Nordeste, mas, desta vez, exaltou os feitos de seu governo na região. “O Nordeste brasileiro não pode passar mais meio século sendo a região pobre do País”, disse.

Candidatura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, no Rio Grande do Norte, que não vai “perder um segundo de sono” para decidir agora se será ou não candidato à reeleição. Ele disse que vai continuar viajando pelo país visitando obras feitas pelo governo federal. “Candidatura tem hora para definir. Se alguém tem pressa de definir com antecedência, que defina. Eu não tenho esta preocupação agora. Isso não me faz perder um segundo de sono. Quem deve ter preocupação são os adversários”, disse o presidente.

Questionado se estaria iniciando uma possível campanha à reeleição, Lula disse que talvez seus críticos preferissem que ele ficasse “trancado no Palácio do Planalto”. “Talvez eles (os críticos) queiram que eu fique trancado lá dentro (do Planalto) para eles poderem andar sozinhos”, disse Lula.