08 de julho de 2026
Internacional

Reunião sobre Irã termina sem consenso

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Londres - A Rússia e a China insistiram ontem em que não se esgotou a margem de negociação com o Irã, sinalizando uma divergência no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a necessidade de desencadear, de imediato, os procedimentos que podem levar à punição do país islâmico em razão de seu polêmico programa nuclear.

Em Moscou, o ministro das Relações Exteriores, Serguey Lavrov, disse que discutir sanções - a alternativa mais dura entre as disponíveis naquele colegiado da ONU - é prematuro e seria “colocar o carro adiante dos bois”. Exortou o regime islâmico a interromper o enriquecimento de urânio, retomado há oito dias, e afirmou que as sanções não surtiram efeitos quando adotadas contra o Iraque de Saddam Hussein.

Em Pequim, o porta-voz da diplomacia chinesa, Kong Quan, disse que seu país continuava a defender uma solução diplomática e apelou para que os países envolvidos “mantenham a paciência e façam novos esforços”. Apesar de mais conciliatórias, a Rússia e a China concordam com os EUA e com o Reino Unido, núcleo “duro” dos países com direito a veto no Conselho de Segurança, para que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se reúna, entre 2 e 3 de fevereiro, para tratar da questão. Só uma resolução dessa agência da ONU daria argumentos para que o CS reaja em nome da comunidade internacional.

O quinto membro do CS com direito a veto, a França, concorda com seus aliados ocidentais, porém apelou ontem para a adoção de um comportamento conjunto - a fim de “manter a credibilidade do sistema multilateral de não-proliferação”. O chefe da diplomacia francesa, Philippe Douste-Blazy, iria ontem a Moscou para discutir a crise.

O Reino Unido, segundo a Associated Press, já está redigindo uma proposta de resolução a ser submetida à AIEA, em que menciona a suspeita de o Irã querer construir a bomba atômica, objetivo negado por Teerã. Londres qualificou como “vazia” a proposta formalizada pelo dirigente iraniano Javad Vaeedi pela qual seu governo se propõe a rediscutir com a Rússia uma solução conciliatória: o enriquecimento de urânio entregue a uma companhia mista, que funcionaria em território russo.

Um informante da diplomacia britânica reagiu com a afirmação de que a proposta iraniana procura apenas ganhar tempo. Ali Larijani, chefe dos negociadores iranianos, reuniu-se domingo com o diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, e pediu que ele intercedesse para que seu país não fosse punido. A delegação iraniana na AIEA reiterou estar disposta voltar à mesa de negociações com os europeus do EU3 (o Reino Unido, a França e a Alemanha). Mas Berlim disse que só voltaria à mesa de negociações caso o país islâmico interrompesse a produção de combustível nuclear.

CNN reautorizada

Um porta-voz da CNN disse que a rede de TV americana estava “agradecida” pela decisão do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de reautorizar suas operações no Irã. A CNN fora proibida de operar naquele país depois da retransmissão de uma entrevista de Ahmadinejad, no sábado, em que um erro de tradução deu a entender que o regime islâmico procurava obter “armas nucleares”.