A noite de anteontem foi do diretor taiwanês Ang Lee e sua última produção, o longa de temática homossexual “O Segredo de Brokeback Mountain”, que levou quatro dos sete Globos de Ouro que disputava. A premiação, que chegou a sua 63.ª edição, é concedida pela Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood. Normalmente considerada uma prévia do Oscar, a noite com forte valorização de temas e papéis que tocam no universo GLS pode abrir caminhos mais liberais para a tradicional e conservadora festa da Academia.
Autor de filmes normalmente delicados e sensíveis, como “O Banquete de Casamento”, “Razão e Sensibilidade” e do sucesso “O Tigre e o Dragão”, Ang Lee declarou que quis retornar a uma produção intimista após ter dirigido “Hulk”. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Vezena, “Brokeback Mountain” fala do amor vivido por dois caubóis (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal) que têm dificuldade em assumir a relação perante a sociedade. Além dos prêmios de melhor filme, diretor, canção - por “A Love That Will Never Grow Old”, do argentino Gustavo Santaolalla - e melhor roteiro, o longa ainda havia sido indicado a atriz coadjuvante (Michelle Williams), trilha sonora (Santaolalla) e ator em drama (Ledger).
Mais politizado e sensível e menos conservador, o Globo de Ouro premiou como melhor atriz de drama Felicity Huffman por “Transamerica”, no qual ela interpreta um transexual prestes a fazer a operação de mudança de sexo que descobre ter um filho que se prostitui nas ruas de Nova York; e também Philip Seymour Hoffman como melhor ator de drama, por sua atuação como o jornalista assumidamente gay Truman Capote no longa “Capote”, de Bennett Miller. O filme acompanha as pesquisas do livro de não-ficção “A Sangue Frio”, que consagrou o escritor como um dos maiores ícones do jornalismo investigativo e do “new journalism”. Hoffman é um dos favoritos ao Oscar, prêmio que o tiraria da lista de “eternos coadjuvantes” e que não deve iluminar novamente um ator que compôs perfeitamente um músico, como ocorreu com Jamie Foxx e “Ray” no ano passado.
Por sua vez, o Globo de Ouro soube prestigiar a composição do ator Joaquin Phoenix para o músico Johnny Cash, na cinebiografia “Johnny e June”. O filme levou todos os três prêmios que disputava: melhor filme, ator e atriz em músical ou comédia, este último para Reese Whiterspoon.
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Brasil na festa
Apesar das indicações de Fernando Meirelles como melhor diretor e de seu belo “O Jardineiro Fiel” para a categoria de filme - drama, o Brasil só foi premiado por tabela, com Rachel Weisz que acabou levando como melhor atriz coadjuvante por sua interpretação como uma militante que é morta ao investigar o uso de cobaias humanas por uma indústria farmacêutica na África. “Eu divido esse prêmio com Ralph (Fiennes) e Fernando Meirelles, um diretor que tem partes iguais de talento e humanidade”, disse a atriz, em seu agradecimento.
“Fiquei extremamente feliz pela premiação da Rachel. Ela está mudando sua carreira e isso vai ajudá-la”, declarou Meirelles. “A festa é um pouco longa, mas vale a pena. Me senti muito feliz por estar indicado entre tantos bons diretores”, contou Meirelles, que terminou a noite satisfeito. “Não tínhamos muitas expectativas em relação a um prêmio para mim ou para o filme. Lendo a imprensa americana, percebe-se que este será o ano de Ang Lee. Ele é boa gente além de ser bom diretor; merece”, concluiu o brasileiro que concorria, além de Ang Lee, com ícones como Woody Allen, George Clooney, Steven Spielberg e Peter Jackson.
Nas categorias de televisão, os maiores sucessos do ano passado apenas receberam o aval da Associação dos Jornalistas Estrangeiros. “Lost” foi premiada como melhor série dramática e “Desperate Housewives”, com seu belíssimo elenco reunido na mesa mais animada do hotel Beverly Hilton, levou o troféu como melhor série de comédia.
Diego Molina