Se expor ao risco dos açudes, lagoas, rios e poços. Essa é a única alternativa da população - principalmente crianças - que não é sócia de clubes e não possui piscinas em casa, para se refrescar durante essa onda de calor que castiga a cidade, com temperaturas que chegaram a 35,1º nesta semana. A única piscina municipal, instalada há 26 anos na Vila Independência, desde 1989 só é utilizada para aulas de natação. Enquanto isso, a criançada em período de férias recorre até a piscina abandonada, no meio do mato, como a existente no Parque das Nações.
Ontem, cinco garotos de 9 a 12 anos se divertiam na piscina inacabada, no meio do matagal. Eles contaram à reportagem que sempre que faz calor vão até o local onde passam horas nadando. A “piscina“ que as crianças do Parque das Nações freqüentam é cercada pelo brejo e por animais, como os cavalos criados pelos moradores da região. Mas isso não espanta a criançada. “Chega a juntar até 20 moleques aqui”, revela o mais novo da turma.
A diversão foi interrompida pela mãe dele, que vinha pela rua chamando a sua atenção: “Quantas vezes eu te avisei para não vir aqui”, exclamava, enquanto a criança corria para vestir a roupa que estava espalhada pelo mato. Denise Cristiane dos Santos, mãe do garoto, afirma que nas férias as crianças não têm para onde ir, e quando os pais descuidam, elas correm para a “piscina”.
“Eu não deixo ele vir de jeito nenhum. A água é parada, suja, e o mato é cheio de bicho. Até já morreu um cavalo picado por cobra”, conta. Ela não sabe a quem pertence o tanque, mas diz que há muito tempo ele está lá. “Faz 13 anos que eu moro aqui e, desde aquela época, as crianças vinham nadar. Hoje, vêm até garoto grande”, diz. Ela teme pela segurança do filho, mas lamenta pela falta de opções de lazer. “Nem que se for um parquinho, eles precisam ter algum divertimento”, pede.
Do outro lado da cidade, a reportagem flagrou um grupo de crianças atravessando a rodovia Bauru-Marília, no final da tarde, em direção ao Núcleo Fortunato Rocha Lima. Vinham todas ainda molhadas, com roupas de banho, inclusive com bóia feita com câmara de ar de pneu no ombro. A situação da “piscina” do Parque das Nações difere muito da que a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) mantém na Vila Independência, única voltada para a população.
Muito bem cuidada, ela é utilizada somente para aulas de natação para meninos e meninas de 7 a 13 anos, e para a hidroginástica para senhoras da terceira idade. As professoras Ana Maria Motta e Rita de Cássia Fernandes revezam as aulas para seis turmas que chegam a contar com até 30 alunos cada.
Na tarde de ontem, apenas sete praticavam exercícios. “Acredito que muitos ainda estejam viajando. As turmas começam a ficar cheias em fevereiro”, conta Motta. Maria de Fátima Miqueto Fassina, faz a manutenção da piscina desde a sua inauguração há 26 anos e recorda que muitas crianças aprenderam a nadar lá. “Já vi meninos que depois trouxeram os seus filhos. Daqui a pouco já chegam os netos”, brinca.
• Serviço
A piscina da Vila Independência fica na rua Itororó, 12-92. As matrículas para as aulas de natação podem ser feitas no local, basta o responsável levar a certidão de nascimento ou o RG escolar da criança.
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Recordação
As piscinas oferecidas aos sócios do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Social da Indústria (Sesi) são alternativas para quem tem condições de manter o pagamento das mensalidades. Para quem não é funcionário da indústria, o Sesi cobra mensalidade individual de R$ 40,00. Para freqüentar as piscinas, os sócios devem fazer exame médico. No Sesc, as mensalidades para quem não é comerciário são de R$ 57,00 ao ano para sócios individuais e R$ 114,00 para famílias.
Jesus Arena, um dos primeiros nadadores de Bauru, lembra que na sua época não era assim. Em seu acervo pessoal com mais de 400 fotos ele encontra imagens das competições realizadas na Piscina do Recreio, construída pelo seu pai, Frederico Arena, na avenida Nuno de Assis. “Naquela época, você podia pagar coisa de R$ 0,50 para nadar o dia inteiro.
Lá ocorreram as maiores competições de natação do Estado”, recorda. Entre os outros locais que o bauruense podia nadar, ele lembra do Tirintam, na beira do córrego da Forquilha. “As famílias passavam o final de semana no lugar”, conta.