09 de julho de 2026
Nacional

BC reduz taxa de juros para 17,25%

Por Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu ontem reduzir a taxa básica da economia, a Selic, em 0,75 ponto percentual, de 18% para 17,25% ao ano - menor taxa em 13 meses. É a maior redução no juro desde dezembro de 2003, quando a Selic caiu um ponto percentual, de 17,50% para 16,50% ao ano.

O Copom retomou o movimento de queda da taxa básica em setembro do ano passado, após um ciclo de alta que durou nove meses. O primeiro corte, em setembro, foi de 0,25 ponto percentual e os demais, de 0,5 ponto. A redução de ontem, embora maior, já era esperada pela maioria dos analistas do mercado financeiro, por conta do desaquecimento na indústria e da inflação sob controle.

Além disso, como as reuniões do comitê não ocorrerão mais mensalmente, mas a cada 45 dias, em média, o processo de redução dos juros ficaria muito lento se fosse mantido o ritmo de corte dos meses anteriores. Nem a divulgação da inflação medida pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), que foi de 0,84% em janeiro -maior patamar desde abril do ano passado -, alterou a perspectiva de que a Selic continuará em queda. Na última pesquisa feita pelo BC com analistas, a previsão era de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,58% neste ano.

O governo trabalha com uma meta de 4,5%. O IPCA é o indicador usado pelo governo para as metas de inflação, que neste ano é de 4,5%, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Além das previsões estarem próximas da meta, outro fator que contribui para a redução dos juros é a desaceleração do nível de atividade da indústria.

A produção industrial brasileira registrou alta de 0,6% em novembro na comparação com outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As previsões, no entanto, indicavam uma expansão entre 1% e 1,5%. Já segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) o índice que mede a utilização da capacidade instalada foi de 80,8% (dado dessazonalizado) em outubro, abaixo do registrado no mesmo mês de 2004 (83,2%).

Esse indicador mostra que a indústria tem capacidade de aumentar a produção no curto prazo sem causar inflação. A recuperação econômica pode provocar um reajuste nos preços por parte da indústria, o que trará inflação. Essa pressão pode ser maior se a indústria não for capaz de atender toda a demanda.