Os representantes dos quatro Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) de Bauru visitaram, ontem pela manhã, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4), Roberto de Mello Annibal. A reunião, agendada pelo Deinter com o objetivo de dar apoio à fiscalização aos desmanches de veículos da cidade, surpreendeu alguns dos convidados, que não contavam com a cobertura da imprensa. Annibal afirmou, mais uma vez, que veio para Bauru para trabalhar e disse que não pretende trocar delegado de cargo, a não ser que haja necessidade, numa alusão ao racha na Polícia Civil que poderia resultar numa eventual substituição do titular da Delegacia Seccional, Antonio Ângelo Ciocca.
Ontem à noite, porém, era forte o boato de que o delegado Antônio de Pádua Pimenta seria transferido da delegacia Seccional. Consultado, o diretor do Deinter-4 afirmou à reportagem “não saber de nada”. O racha na Polícia Civil começou a ficar exposto quando Annibal iniciou um processo de esvaziamento da Delegacia Seccional de Bauru. Doze funcionários e dois delegados que atuavam na Seccional foram transferidos para outras unidades policiais no final de 2005 e início deste ano através de portaria.
A disputa silenciosa teve seu auge na segunda-feira passada, quando o diretor do Deinter-4 trouxe para Bauru 20 policiais de São Paulo para fiscalizar os desmanches de veículos sem avisar o delegado seccional. Annibal utilizou apenas dez policiais de Bauru, todos ligados diretamente a ele, deixando os demais fora do serviço, inclusive os das delegacias especializadas.
A ação dos policiais resultou na apreensão de 13 veículos e três pessoas foram detidas - duas continuam presas e uma foi dispensada no mesmo dia. O racha se tornou público e ontem os Consegs marcaram presença para apoiar a ação dos policiais. Para o diretor do Deinter-4, a divisão não existe. Ele afirma que a polícia é una.
Ontem, ele explicou que, ao analisar as estatísticas, percebeu que os policiais de Bauru estavam muito quietos. “Se o índice de esclarecimento de crimes estivesse mais alto, teria certeza de que eles estavam se movimentando”, disse. Para acordá-los foi preciso dar um susto, argumentou. “Quando você quer acordar alguém não pode ser aos berros, mas se a pessoa não acorda a gente dá um susto. Precisamos que a Polícia Civil acorde”, cutucou.
Ele reconhece que para dar agilidade ao trabalho é preciso mais funcionários. “O recurso humano que eu tenho para oferecer é pouco, porém onde trabalha dois vai passar a ter três. Todo mundo tem que fazer a sua parte”, disse. Para incrementar as ações, Annibal disse que está mantendo contato com o coronel Daniel Rodrigueiro, comandante do Comando de Policiamento do Interior –4 (CPI-4). “Estamos colocando as coisas em ordem para ações efetivas”, completou. Annibal lembrou que será realizado em Bauru, provavelmente em março, um encontro dos Consegs do Estado de São Paulo.