O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou ontem os 18 projetos cinematográficos que receberão patrocínio do banco. A lista inclui nomes conhecidos como o dos cineastas Hector Babenco, Tata Amaral, Sandra Kogut, Carla Camurati e Jorge Furtado e estreantes como o ator Matheus Nachtergaele. O banco de fomento aumentou a verba para o cinema de R$ 15 milhões em 2004 para R$ 22 milhões em 2005.
Apesar do aumento, o orçamento para a produção cinematográfica representa apenas 45% do total, com R$ 10 milhões. Valor igual (R$ 10 milhões) foi destinado ao Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica (Funcine) para distribuição. Deste total, R$ 7 milhões já foram liberados para o fundo administrado pela gestora de investimentos Rio Bravo, que tem o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco como sócio. Os R$ 2 milhões restantes foram aplicados em projetos de exibição, como a instalação da Sala BNDES-Cinemateca de Cinema, em São Paulo, e na restauração do Cine Olinda, em Pernambuco.
Segundo o chefe de gabinete do BNDES, Élvio Gaspar, a Rio Bravo foi a única gestora a apresentar as condições que o banco exigiu. “A BB DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários do Banco do Brasil) apresentou uma primeira proposta. Nós apresentamos o que gostaríamos de apoiar e a forma como fazer isso, mas ainda não conseguimos fechar um acordo”, disse.
Um filme contemplado, que está em fase de finalização, é “Antônia”, da cineasta Tata Amaral. A produção está orçada em R$ 3 milhões e deverá receber R$ 400 mil. O longa sobre cantoras da periferia paulista deve estrear em agosto. Já o filme “A Festa da Menina Morta”, do estreante na direção Matheus Nachtergaele não tem previsão de estréia. Ele será filmado este ano, na beira do rio Negro, no alto Amazonas. A tragédia familiar que dá origem ao nascimento de uma seita vai contar com R$ 700 mil de recursos do BNDES. O orçamento total é superior a R$ 2 milhões. “Hoje em dia estamos chegando perto da metade do orçamento, o que significa que a gente consegue colocar o filme na lata. No Brasil conseguir a metade do orçamento é um grande gol”, afirma Nachtergaele.
Fora da lista
A divulgação da lista dos projetos cinematográficos que terão patrocínio do BNDES já provoca polêmica. O cineasta Luiz Carlos Barreto, que ficou de fora da lista de 18 premiados, voltou a criticar o Ministério da Cultura. “Não tenho nenhuma crítica ao BNDES. Minha crítica é ao Ministério da Cultura, que está encaminhando as leis de incentivo para um processo perigoso. Há alguns cineastas dentro do Minc que acham que só deve existir um tipo de cinema”, disse.
Para Barreto, o Minc está deixando de lado os filmes de maior apelo comercial e responsabilizou o ministério pela queda da participação do cinema brasileiro no mercado. De acordo com o cineasta, o cinema brasileiro tinha 22% do mercado em 2003 e caiu para 15% em 2004 e em seguida para 12% em 2005. “Não pode fazer reforma agrária dando terra ao lavrador, mas não dando assistência técnica, assistência na comercialização, no transporte da mercadoria. Por isso, filmes como ‘Cidade Baixa’, ‘Cinema, Aspirinas e Urubus’ e ‘Contra Todos’ ficaram muito aquém do que poderiam alcançar”, disse.
A cineasta Carla Camurati, contemplada com R$ 400 mil para a finalização de “O Mistério de Irma Vap”, afirma que é natural em todo o processo de exclusão que bons filmes fiquem de fora da lista. “São forças do cinema brasileiro que fazem falta, mas se no processo de seleção você não vai revezando também ficam coisas importantíssimas de fora. O resultado me parece equilibrado”, afirma.